A pandemia trouxe vários desafios a todos nós. Muitas pessoas tiveram de acessar a reserva de emergência, aquele valor que guardamos para possíveis imprevistos. Já outros se deram conta que sequer possuíam uma reserva de emergência no momento em que mais precisavam.

Fato é que os dois grupos perceberam que não temos como viver sem uma reserva de emergência — e que ela já tem esse nome porque emergência não avisa que está chegando. Uma reserva de emergência traz mais tranquilidade para navegar situações atípicas, como uma urgência médica ou até mesmo a perda do emprego.

O valor da reserva deve representar entre 3 a 12 meses do seu custo de vida, a depender de qual profissão você tem. Para um empreendedor, por exemplo, o ideal é garantir o valor correspondente aos 12 meses. Já para um profissional concursado e da iniciativa pública, a faixa de 3 meses pode ser um bom começo.

Lembre-se de ir ajustando a sua reserva conforme seu padrão de vida mudar. Esta também é uma ótima oportunidade de rever seu orçamento mensal e analisar se ele precisa de ajustes para ficar mais eficiente.

Gosto muito da regra do 50/30/20. 50% para gastos fixos, 30% para variáveis e 20% para investimentos. Uma forma simples de trazer eficiência à sua vida financeira é organizar o orçamento em planilhas. Se ele não estiver fechando, identifique em qual das linhas ele está sendo extrapolado e faça os ajustes necessários.

Construção de reserva de emergência e organização do seu orçamento financeiro andam lado a lado: um custo de vida mais enxuto exige uma reserva menor, permitindo que sobrem valores para o investimento em outros objetivos de vida.

Construir a reserva é uma atitude que demanda muita disciplina e você pode fazer isso aos poucos, por meio de aportes mensais. Até que a sua reserva tenha pelo menos 50% do valor necessário, esse deve ser seu único investimento.

Assim que concluir 50%, você pode ir aumentando-a de forma gradativa, mas investindo em com outros objetivos em paralelo, como em carteiras dedicadas à sua independência financeira ou a uma viagem, por exemplo.

É importante frisar que os recursos da reserva devem estar aplicados em investimentos conservadores, de renda fixa, com baixíssimo risco e com altíssima liquidez, ou seja, que permitem acesso rápido ao dinheiro e não trazem surpresas negativas no rendimento. Esse não deve ser um investimento que inclua, em hipótese alguma, investimentos de perfil moderado ou arrojado.

Daiane Mohr, CFP, planejadora financeira da Warren
Email: daiane.mohr@warren.com.br