Falar da importância da água é chover no molhado. Proclamar sua extinção é uma questão de ‘água mole e pedra dura’... Evidentemente, graças à abundância de nosso potencial hídrico, não entraremos pelos canos tão cedo, embora, por ineficiência, não chegamos a usar sequer 1% dessa rica reserva. O nível de conscientização do brasileiro para com esse escasso recurso, equivale a esparsas gotas num árido deserto. Políticas de Estado para preservação e sustentabilidade poderiam, figurativamente, se equiparar a uma infindável estiagem. Note que nem entramos no desafio de torná-la própria para o consumo humano. Se nos reportarmos, entretanto, à gestão pública visionária de coleta, tratamento e distribuição, concernente a realidade brasileira, então seria como se tivéssemos, parcos oásis. Impelido pela curiosidade particular de conhecer a origem e qualidade da água que bebo, tenho me valido da oportunidade de visitar, vez por outra, a estrutura de nosso Samae, o Serviço Autônomo Municipal de Água e Esgoto. Tenho constatado alguns aspectos importantes que nos diferenciam e, seguramente, nos enquadrariam como um oásis. Deparei-me com um modelo de gestão empresarial, com cristalina e sensível orientação para o futuro e consistente atuação no presente. Alguns indicadores têm corroborado minha percepção: Jaraguá do Sul levou 45 anos para chegar ao índice de 48% de coleta, tratamento, distribuição de água e destinação de esgoto. Nos últimos quatro anos esse índice foi elevado a 80%. Uma nova ETA – Estação de Tratamento de Água, em fase final de implantação, com capacidade de 1.000 litros por segundo, garantirá abastecimento para os próximos 25 anos. Em 2018, a autarquia incorporará em sua responsabilidade de saneamento básico, também a gestão do lixo. Uma ação estratégica que é igualmente digna de destaque, diz respeito à recuperação e preservação das margens do rio Itapocu. Há um plano de diagnóstico em curso, visando examinar a relação dos cidadãos com o rio, notadamente, os que habitam próximo às margens. Culturalmente cultivamos uma relação ambígua. Damos as costas, persuadidos pela dinâmica desenvolvimentista da cidade. Não haverá sentido dispormos de estrutura e tecnologia moderna sem que haja água para coletar. O rio é um patrimônio de responsabilidade coletiva. E não devemos preservá-lo visando apenas seu consumo, mas também, sob uma perspectiva urbanística, como um recurso natural integrado com a vida da cidade, compondo sua identidade. Sinto nessa gestão um olhar atento para essa questão. Que possamos então, antes de nos saciar, ter o olhar do saudoso João Cabral de Melo Neto: “Os rios que eu encontro vão seguindo comigo. Rios são de água pouca, em que a água sempre está por um fio. Cortados no verão que faz secar todos os rios. Rios todos com nome e que abraço como a amigos. Uns com nome de gente, outros com nome de bicho, uns com nome de santo, muitos só com apelido. Mas todos como a gente que por aqui tenho visto: a gente cuja vida se interrompe quando os rios.”