“♫ Money no bolso, é tudo que eu quero/ Money no bolso, saúde e sucesso/ Faço tudo pela fama não tem jeito eu sou assim/ Sei que a fama tem um preço, vou pagar, quero subir” (Fama, Beth Lamas).

Recentemente uma mãe ganhou as páginas de notícias por ter excluído perfis de redes sociais da própria filha, de 14 anos, com mais de dois milhões de seguidores. Ela está na contramão da maioria das mães, que costumam ver as redes sociais como (i) uma brincadeira inocente ou (ii) um trampolim financeiro.

A mãe foi muito criticada, especialmente pelos seguidores da filha. Recebeu, também, embora menos, mensagens de apoio. Está, ela, errada?

Educar é mais do que ensinar 2+2

É mais do que ensinar 2+2 ou a ser cordial com as pessoas. Educar é dar exemplos, é ser firme, não é ser, utilizando as palavras daquela mãe, “amiguinha”. Em resumo, não é fácil – nunca foi – ser pai ou mãe, ainda mais em tempos de internet, quando o mundo inteiro está dentro de casa, na palma da mão, numa telinha. Muitas coisas estranhas, perigosas e desnecessárias ao alcance instantâneo.

Essa mãe, afinal, está errada ao tomar tal decisão radical? Ela entende que não; eu a compreendo. Há quem entenda que sim, e respeito. Contudo, é importante que conversemos sobre o tema. Quais são os limites, quais são os objetivos, quais são as perspectivas. Não há resposta pronta ou fácil.

Pesquisas no mundo inteiro apontam para uma relação crescente entre redes sociais e suicídios de jovens e adolescentes, especialmente de garotas. A falta de conversa clara e franca em casa e o despreparo das escolas contribuem para tais estatísticas. Por isso é importante que haja uma sintonia maior entre pais, escolas, governos e sociedade. Não é problema de um, é problema de todos.

E o outro lado?

E quando são os pais que praticam o excesso de exposição de seus filhos nas redes sociais, muitas vezes de forma constrangedora? Não falo de uma brincadeira aqui ou ali, mas, sim, da exposição sistemática, algumas vezes com o objetivo (claro ou disfarçado) de faturar.

Ainda que a intenção não seja lucrar, será que a insistência na publicação daquelas cenas cotidianas engraçadinhas quando o filho é bebê ou criança pequena é precedida pela reflexão dos pais? Será que param para pensar em como eles lidarão com situações eventualmente vexatórias na adolescência ou juventude? Às vezes comentários pretensamente ingênuos nas fotos publicadas pelos pais podem fazer grandes estragos.

Esta exposição, assim como na outra situação, também deve ser discutida na mesa de jantar. Com os celulares desligados, óbvio. Crianças e adolescentes têm, sim, direito à privacidade. Não é tudo o que acontece em suas vidas que precisa ir para a internet. Os pais devem conhecer seus limites no que diz respeito às vontades de seus filhos quanto às imagens deles nas redes sociais.

A internet nos traz um mundo maravilhoso de informações, mas, da mesma forma, muita responsabilidade por parte dos adultos de como utilizá-la. Exposição demais nunca fez bem, e continua não fazendo ainda que virtualmente, especialmente para crianças e adolescentes.