“♫ Eu não vim até aqui te divertir/ Se me divirto, de algo já valeu/ Não vim dançar, sorrir, te tratar bem/ Lutar por algo que já não é meu” (Eu não sei nada, Herbert Vianna).

O aplicativo TikTok, com pouco tempo de vida, virou febre mundial. No Brasil não foi diferente. Crianças, adolescentes, jovens e adultos se entregaram de corpo e alma à plataforma de vídeos curtos. Não sei se mais de alma ou mais de corpo, já que o que mais tem feito sucesso pelas bandas de cá são as dancinhas, muitas delas beirando e outras tantas ultrapassando o ridículo.

Por outro lado, nas últimas semanas a onda tem sido acusar o TikTok de utilizar seus algoritmos para emburrecer a juventude ocidental. Recebi, com pedidos para comentar, vários vídeos de pessoas falando sobre o assunto. Alguns deles com análises mais sérias; outros visivelmente sensacionalistas, mais parecendo um caça-curtidas do que uma preocupação genuína com o futuro da molecada.

ByteDance

E de quem é o TikTok, afinal? O aplicativo é do grupo chinês ByteDance e o que tem levado às teorias possivelmente conspiracionistas é o fato de que tudo na China tem dedo do governo, sem esquecer a cruzada que ex-presidente norte-americano fez contra o aplicativo, alegando, entre outras coisas, que era utilizado para espionar os usuários americanos. Tudo bem, é engraçado que logo um presidente dos EUA diga que não concorda com a espionagem de outro país...

Preconceito contra os chineses também pode ser uma explicação. Mas, sim, a China é um país não-democrático onde o Grande Irmão quer saber e controlar tudo. Inclusive do que não é da sua conta.

Douyin

Como há muitas restrições pelas plagas chinesas, é comum que os aplicativos de lá sejam diferentes dos do Ocidente. A irmã gêmea do TikTok, na China, tem o nome de Douyin.

Os detratores do aplicativo dizem que enquanto o TikTok estimula, com seus algoritmos, que os usuários fiquem presos a dancinhas idiotas ou eróticas, pegadinhas e outros conteúdos sem sentido ou qualidade, o Douyin, igualmente por meio dos seus algoritmos, apresenta aos chineses vídeos de cultura, motivação, esportes, ciência. Em outras palavras, que há uma premeditação de tornar os chineses mais cultos em detrimento de fazer os ocidentais menos pensantes.

As provas

Revirei a internet atrás de material que justifique o atual berreiro contra o TikTok. Não encontrei nada de efetivamente concreto. Há muitas especulações, sem dúvida. Isso não quer dizer que não esteja acontecendo; apenas não encontrei nada de contundente; somente suposições.

O fato é que o objetivo das redes sociais é deixar o usuário o maior tempo possível em suas plataformas. E para alcançar este intento, os seus algoritmos trazem materiais que sabem que o usuário vai gostar. Isto é, em regra, quanto mais besteira ele vir, mais besteira chegará a ele. Quanto mais coisas inteligentes ele procurar, mas coisas inteligentes aparecerão na sua timeline.

No vídeo desta semana no meu canal no Youtube (link aqui), faço a recomendação de alguns filmes e livros sobre a influência dos algoritmos que poderão esclarecer alguns pontos para as pessoas que quiserem compreender um pouco melhor o mundo digital que vivemos. E aí, cada um poderá tirar sua conclusão.