Viradas nunca ocorreram nas eleições presidenciais desde 1989. Para conseguir o inédito, o presidente Jair Bolsonaro (PL) teria de conquistar 368 mil votos por dia nesta campanha do segundo turno. Verdade que, na reta final do primeiro, Bolsonaro conseguiu crescer em estados estratégicos como São Paulo e Minas. A diferença de 6 milhões de votos foi tão menor que deixou a campanha de Lula aturdida.

Na disputa ao governo do Estado, Décio Lima (PT) conseguiu o feito inédito de levar o PT ao segundo turno, mas precisaria garantir 40 mil votos por dia para virar o resultado. Sem contar que Jorginho Mello (PL) vem de um desempenho também surpreendente ao superar três candidatos bolsonaristas, o atual governador Carlos Moisés, o ex-governador Esperidião Amin e ex-prefeito da Capital Gean Loureiro. Agora, Jorginho também conta com apoio engajado do presidente Bolsonaro, que antes, parecia só ter olhos para Jorge Seif.

As viradas nas eleições estaduais são mais comuns: ocorreram em SC em 2002 e em 2018. Em 2002, Amin fez quase 300 mil votos a mais que Luiz Henrique da Silveira no primeiro turno, depois perdeu por 20,7 mil votos. O petista José Fritsch deixou de ir para o segundo turno por menos de três pontos percentuais em relação ao governador do MDB, já falecido. Em 2018, já com onda Bolsonaro, Gelson Merísio fez 50,4 mil votos a mais que Carlos Moisés (Republicanos) no primeiro turno, depois perdeu por 1,6 milhão de votos. Mauro Mariani, pelo MDB, havia feito 836 mil votos e ficou pelo caminho. Hoje, Merísio (Solidariedade) faz parte do núcleo estratégico da campanha de Décio Lima.

Em 2022, o candidato do PL venceu o primeiro turno com margem de 865 mil votos sobre o petista, mas os demais candidatos competitivos somaram 1,7 milhão de votos. Moisés perdeu a segunda vaga por 17 mil votos. Neste segundo turno, a campanha de Décio busca o voto antijorginho. Para ter alguma chance, o petista precisaria mais do que dobrar sua votação e fazer acima de 1,5 milhão de votos. Lula somou 1,2 milhão no primeiro turno em Santa Catarina.

Super “mito” em SC

Bolsonaro posou de super herói e fez discurso sobre a luta do bem contra o mal em visita a Santa Catarina nesta terça-feira. Cerca de 10 mil pessoas e mais de 200 prefeitos, dois terços do total do Estado, foram a Balneário Camboriú para o ato de campanha com os candidatos Bolsonaro e Jorginho Mello e com o senador eleito Jorge Seif. O presidente disse que, apesar da pandemia, da guerra e da crise hídrica, a economia brasileira é modelo para o mundo todo. Entre os indicadores destacou a possibilidade do quarto mês consecutivo com deflação, a baixa do preço dos alimentos para patamar anterior à pandemia, uma das gasolinas mais baratas do mundo, e o Auxílio Brasil três vezes maior que o Bolsa Família dos governos do PT. “É a décima quinta semana consecutiva que o mercado projeta números positivos. Desde que assumimos, apresentamos várias propostas para quem quer empreender: a lei da liberdade econômica, a reforma previdenciária, os marcos das startups, do saneamento público e ferroviário. Tudo somou para que o mercado se aquecesse”, apontou.

Pauta conservadora

Foto: Eduardo Valente/Divulgação

Num discurso que terminou com a defesa da “liberdade”, sob a Canção do Expedicionário e a menina Gabriele no cangote, o presidente Bolsonaro disse que a economia o diferencia do “outro lado” pelo apreço ao mercado, mas também há a pauta do conservadorismo. “Há uma grande diferença: não somos favoráveis ao aborto, somos contra a legalização das drogas, o outro lado não sabe a dor da mãe que tem um filho mergulhado nesse mundo, contra a ideologia de gênero, nos preocupamos com a inocência da criança na sala aula e não admitimos banheiro unissex nas escolas”, enumerou. Também lembrou que, ainda deputado, vinha a SC com o então colega Rogério Peninha Mendonça (MDB) para falar sobre armamento. “Sabemos que um povo armado jamais será escravizado”, disse sob aplausos e gritos de “mito”. Durante a fala, disse que é importante o alinhamento nos governos estaduais. “Por isso eu peço, neste momento, o voto em Jorginho Mello. Temos um congresso que está à direita agora, por isso não podemos desistir, está em jogo a nossa liberdade.”

Atento

Senador Esperidião Amin (PP) foi até o aeroporto de Navegantes para recepcionar o presidente Jair Bolsonaro. Na véspera, ele havia conseguido a informação da CCR Aeroportos que, finalmente, foi “ressuscitada” a obra da segunda pista do aeroporto. A segunda pista constava do masterplan desde 2013, mas havia sido eliminada no leição de concessão, com grave prejuízo para a economia de SC e do Brasil.

Aliado

Décio Lima esteve ontem na Oktoberfest, acompanhado de sua mulher, a deputada federal eleita Ana Paula Lima (PT), que foi a mais votada em Blumenau. No final de semana, Décio recebeu o apoio do PDT. Pela democracia, pelos trabalhadores e excluídos e em solidariedade às milhares de vítimas da Covid-19, destacou Manoel Dias, em nota da direção estadual da sigla.

Com prefeitos

Na primeira semana, Jorginho Mello recebeu apoio de prefeitos como o de Blumenau, Mário Hildebrand que deve deixar o Podemos pelo PL. Nesta, as adesões passaram a ser de regiões inteiras, como a da Grande Florianópolis. Liderados por Topázio Neto, da Capital, e Orvino Coelho, de São José, prefeitos do MDB, PSD, Podemos, União Brasil e até PSB reuniram-se com o candidato. “Ninguém aqui fará política com o fígado, eu sempre fiz política com responsabilidade”, acolheu Jorginho. Ele disse compreender que, no primeiro turno, a ampla maioria dos prefeitos esteve com Carlos Moisés, por gratidão. “Os recursos são apertados nas prefeituras e todos colocaram os interesses dos municípios na frente da política. Não há nada de errado nisso. Se eleito governador, estarei de portas abertas para fazermos o nosso Estado crescer”, arrematou.

Produção e edição: Adriana Baldissarelli (MTb 6153) para APJ/SC e ADI/SC, com colaboração de Cláudia Carpes. Contato peloestado@gmail.com