A expectativa do presidente da Federação das Indústrias, Mario Cezar de Aguiar, é que o segundo turno das eleições 2022 permita aprofundar o debate sobre desenvolvimento do Estado e país. “O fundamental é que agora seja discutido com mais consistência como vamos construir um futuro melhor para os catarinenses e os brasileiros”, recomenda.

Aos candidatos ao governo do Estado, Jorginho Mello (PL) e Décio Lima (PT), a Carta da Indústria propõe a criação de conselho de desenvolvimento e chama atenção para a precariedade da infraestrutura.

“Passamos momentos difíceis da pandemia e, agora, da guerra. Santa Catarina, historicamente, tem suas demandas ignoradas pelo governo federal, embora seja o quinto Estado que mais contribui com a arrecadação de impostos”, aponta Aguiar.

É o segundo Estado mais competitivo do Brasil e só não é o primeiro por conta da infraestrutura precária. Pelo levantamento de 2017, que está em atualização pela Fiesc, o custo logístico das empresas catarinenses era de R$ 0,14 por real faturado, acima da média nacional de R$ 0,11 e dos R$ 0,08 dos Estados Unidos, por exemplo.

Desde o primeiro turno, o industrial confia no clima de normalidade destas eleições, com polarização, mas sem confrontos, e recomenda os caminhos de governança, sustentabilidade ambiental e responsabilidade social.

No plano federal, o presidente da Fiesc diz que os candidatos Jair Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) “precisam dizer com clareza como manterão o equilíbrio fiscal, viabilizarão parcerias com a iniciativa privada para investimentos e de que maneira criarão as condições para as reformas estruturais”.

A Fecomércio espera que o segundo turno no Estado proporcione debate mais amplo sobre geração de emprego, renda, inovação e competitividade. “A Fecomércio SC está à disposição dos novos deputados para a construção conjunta de propostas que impulsionem os indicadores econômicos e sociais de nosso Estado”, afirma o presidente Hélio Dagnoni.

Também está à disposição das novas bancadas, renovadas em 40% na Alesc e em 45% na Câmara dos Deputados. Na bancada federal catarinense, a renovação foi de 50%, um pouco maior que a média da Câmara Federal. A Capital ficou sem representação e Joinville reduziu de três para um parlamentar.

Nem metade

Na Assembleia Legislativa, a renovação ficou até abaixo da última eleição. Dos 27 que disputaram a reeleição, apenas três ficaram de fora: João Amin, do PP, Felipe Estevão e Láercio Schuster, ambos do União Brasil. Os demais da atual legislatura concorreram a federal ou ao Senado e Moacir Sopelsa e Romildo Titon, do MDB, ficaram fora da disputa.

No Palácio Barriga Verde, terá duas deputadas a menos, mas Ana Capagnolo, com quase 200 mil votos, bateu o recorde histórico que pertencia a Gelson Merísio (Solidariedade). Em 2014, ele havia feito 119 mil votos, bem abaixo da deputada conservadora e de direita do PL.

Sem furo

O presidente da Alesc, Moacir Sopelsa, informou que pela primeira vez na história de Santa Catarina, será apreciado um orçamento sem qualquer déficit. Todas as previsões têm recurso devidamente assegurado. O projeto de lei orçamentária anual preparado pela equipe de Paulo Eli, na Secretaria da Fazenda, estima receita total de R$ 44,11 bilhões. Descontados os repasses constitucionais e legais, serão R$ 28,65 milhões em receita líquida disponível com R$ 5,6 bilhões para setor de saúde. O governo de Carlos Moisés deve fechar 2022 com crescimento de R$ 16,5% nas receitas, apesar das reduções de ICMS sobre combustíveis, comunicação e energia elétrica.

Apoio do Psol

Divulgação

O candidato Décio Lima recebeu apoio entusiasmado do deputado estadual eleito Marcos José de Abreu. No primeiro turno, o Psol já apoiou o petista, mas não compartilhou palanque por conta da disputa ao Senado em que a vaga ficou com Dário Berger (PSB). Vereador mais votado da Capital, Marquito fez mais de 40 mil votos, bem acima de candidatos com alta estrutura de campanha como o ex-secretário de Fazenda da Prefeitura de Florianópolis Constâncio Maciel, suplente do União Brasil com 23 mil votos. O engenheiro agrônomo Marquito é ligado a movimentos como o Slow Food, reconhecido na Grande Florianópolis pela atuação pioneira e inovadora do Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo. O Cepagro, orientado pelo método Ufsc de compostagem do professor da Ufsc Rick Muller, puxou avanços como o da Revolução dos Baldinhos e a política pública de agricultura urbana e valorização de resíduos orgânicos em Florianópolis. Décio e Marquito conversaram sobre a pauta do meio ambiente e juventude para Santa Catarina.

Crédito para teles

A agência do Brde em Santa Catarina realizou operação de crédito pioneira no Brasil pela linha Finame Funttel. O Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações financia a aquisição de equipamentos produzidos e desenvolvidos no país para melhorar a infraestrutura em fibra óptica e internet das coisas, por exemplo.

O primeiro aporte será de R$ 634 mil e já tem segunda operação programada para este mês, no valor de R$ 1,2 milhão. “O Brde mais uma vez demonstra seu protagonismo em atender as necessidades do mercado e, principalmente, estar atento às oportunidades para o desenvolvimento das empresas, fortalecendo a inovação e tecnologia no Estado”, comemora o vice-presidente e diretor de Acompanhamento e Recuperação de Créditos, Marcelo Haendchen Dutra. O diretor financeiro, Eduardo Pinho Moreira, observa que o prazo de pagamento é de 10 anos, incluindo dois de carência.

Produção e edição: Adriana Baldissarelli (MTb 6153) para APJ/SC e ADI/SC, com colaboração de Cláudia Carpes. Contato peloestado@gmail.com