Professora, presidente da Comissão de Educação, Cultura e Desporto e coordenadora da Bancada Feminina na Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina, Luciane Carminatti trouxe da sala de aula para a política a bandeira por salários justos e condições de dignas de trabalho. Também a reivindicação de diferentes gerações de estudantes por escolas de qualidade, mais bolsas de estudos e oportunidades de um futuro melhor. A conquista da Universidade Federal da Fronteira Sul (Uffs), o curso de Medicina público e gratuito para o oeste de SC, a aprovação da lei do segundo professor, marco para a educação especial catarinense, são alguns dos resultados do seu esforço por educação e a justiça social.

Com o desafio recente de enfrentar o câncer de mama, encontrou-se ainda mais na luta das mulheres por igualdade. A atuação da deputada petista sempre abraçou a luta das mulheres pelo fim da violência e por nenhum direito a menos, a valorização da agricultura familiar e camponesa, com autonomia e renda, a defesa por mais investimentos para a assistência social, defensoria pública, economia solidária e a cultura catarinense, além do desenvolvimento dos municípios.
Filha de Domingos Carminatti e Luiza Ana Carminatti, natural de Chapecó, nasceu em 1970. É mãe de três filhos: Paula, Júlia e Guilherme, e casada com Alceu Werlang. Formada em Pedagogia e especialista na área de Educação Especial e em Orientação Educacional.

Antes de ocupar cargos públicos eletivos, atuou como professora e coordenadora pedagógica em escolas públicas de Chapecó. Atualmente, está em seu terceiro mandato como deputada estadual. Antes, foi vereadora por dois mandatos (2000-2004/2008-2011) e secretária municipal da Educação em Chapecó (2001-2003).

“Com o desafio de enfrentar o câncer de mama, me encontrei mais ainda como mulher e com as lutas das mulheres. A gente quer um mundo de equidade", destaca a deputada. Confira a entrevista:

A que atribui essa votação tão expressiva de mais de 92 mil votos?

Ao nosso trabalho pautado em causas coletivas, que nos esforçamos em representar no parlamento. Nosso mandato é um movimento, desde o início existimos para dar voz a quem não tem voz. Passamos os últimos quatro anos percorrendo todos os municípios do Estado, visitando mais de 300 escolas, nos reunindo com grupos de mulheres, de trabalhadores, de artistas, de lideranças comunitárias e dando respostas às suas demandas.

Foram eleitas menos deputadas na Alesc, mas as mais votadas são mulheres. Qual sua avaliação desse cenário?

Precisamos avançar em políticas afirmativas que corrijam a exclusão histórica das mulheres dos espaços de decisão. Mais do que 30% para candidaturas, precisamos de paridade entre as vagas ocupadas. E seguimos pautando a formação de lideranças femininas, sejam comunitárias ou na política. O fato de termos sido as mais votadas expressa, de certo modo, o tamanho do eleitorado feminino e a busca cada vez maior por representação.

O que significa ser deputada de esquerda? Quais são os valores e as posturas que acompanham essa definição?

Significa ser resistência, fazer oposição, mas sem abrir mão do diálogo, esforçar-se para ouvir todos os lados e construir consensos. Temos um jeito de fazer política, de forma honesta, séria, coletiva, com muita garra, persistência e presença. Fazer política por causas, não por interesses individuais, defendendo um Estado mais forte, que tenha uma escola boa, SUS acessível a todas as populações. Fazer política com democracia, com respeito, respeitando as minorias, olhando para as pessoas negras, indígenas, quilombolas, lgbtqia+, com deficiência.

Como avalia a luta feminista?

Estou sempre muito envolvida com mulheres, faço muita agenda de mulheres, converso com muitas mulheres e agora mais recentemente, com esse desafio que eu tive de enfrentar o câncer de mama, me encontrei mais ainda como mulher. Isso tudo me leva para uma construção muito forte de identidade de luta das mulheres. Mas não tenho dúvida nenhuma: não queremos o mundo para mandarmos em ninguém! A gente quer um mundo de equidade. Nem todas as mulheres me representam. Há mulheres nas quais nunca votaria porque são extremamente machistas, fora da realidade e se autorrepresentam, não representam as causas e lutas das mulheres. Eu me sinto muito, muito bem por saber que represento as mulheres, acho que isso me dá força e energia muito grandes.

Como é a Santa Catarina dos seus sonhos?

A SC que almejo, não como sonho inalcançável, mas como projeto de sociedade que queremos construir, prioriza a educação, com professores valorizados, escolas seguras, modernas e equipadas com laboratórios, centros de informática, quadras, ginásios e bibliotecas com profissionais habilitados. É inclusiva, oferecendo oportunidades para todos, também aqueles com necessidades especiais. É um Estado que não se diga a Suíça brasileira, negando que cerca de 500 mil pessoas passam fome. Onde vidas não se percam em acidentes potencializados pelas péssimas condições das rodovias. Um Estado com desenvolvimento regional, qualidade de vida e oportunidades nos municípios e não apenas nos grandes centros; que ofereça renda mínima cidadã, serviços públicos de qualidade, seja seguro para as mulheres, para a população negra, lgbtqia+, indígena, quilombola e periférica.

Será o quarto mandato, o que muda a cada período? Quais as prioridades deste novo?

Eu sempre procuro avançar. No segundo, avançamos para as lutas da cultura, da assistência social, da economia solidária. A luta das mulheres segue. Começarei o próximo mandato tensionando ainda mais o quanto este Estado tem uma arrecadação recorde e precisa fazer justiça com a carreira dos profissionais da educação, o que não foi feito ainda. Os professores mais experientes recebem praticamente o mesmo dos iniciantes. É preciso acabar com a vergonha dos 14% de confisco dos que menos ganham, já que a reforma da previdência estadual derrubou a isenção da alíquota para já aposentados e pensionistas que recebiam abaixo do teto do INSS. Quero entrar em pautas mais estruturantes: tem que fazer uma profunda revisão de renúncia fiscal. Santa Catarina tem um pacote fiscal como estratégia para garantir competitividade em relação a outros estados, mas não posso compactuar com a realidade de encontrar, nas visitas que faço, micro e pequenos empresários que não conseguem ter acesso a crédito e geram emprego! O Estado está de costas para eles. Com Lula presidente, teremos duas bandeiras prioritárias: o reajuste do piso nacional do magistério ser estendido para a carreira (não apenas para o piso) e o piso da enfermagem, que é justiça com os trabalhadores da saúde.

Como pretende ajudar Décio a ser governador e Lula a voltar à Presidência da República?

Percorrendo o Estado para dialogar com as pessoas que abraçam as nossas causas sobre o quanto este segundo turno é voto por um Estado democrático, alimento na mesa, direito à educação, direito à moradia, direito à produção de alimentos saudáveis, direito ao acesso à tecnologia, à justiça como direito de todos os brasileiros e brasileiras. Quem tem essa compreensão, precisa estar com a gente.

O que faz com R$ 200 no bolso e um dia livre

Passeio com filhos.

No que investe seu dinheiro

Meu dinheiro vai pra garantir o necessário pra viver bem, dar estudo aos filhos e condições dignas.

Desejo de consumo

Morar em uma casa (moro em apartamento).

Última compra que fez

Um presente pro Gui.

Último livro que leu ou está lendo

Estou lendo “Os trilhos da morte, 100 anos do fim da guerra do Contestado”.

Música ou estilo de música preferido

Estilo é MPB e música preferida Laços do Nando Reis.

Esporte ou atividade física habitual

Meu ponto fraco...

Religião

Católica.

Maior emoção na vida

Nascimento dos filhos.

Sabedoria na prática (ditado ou conselho que sempre usa)

“Nunca deixe que o medo seja maior do que você”: quando enfrentamos nossos medos ficamos mais fortes.

Dinheiro pra quê?

Dinheiro pra viver bem… sem exageros… com equilíbrio.

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