A disputa nacional, de fato, verticalizou a eleição para governador em Santa Catarina colocando o senador Jorginho Mello (PL) e o ex-prefeito reeleito de Blumenau e ex-deputado Décio Lima (PT) no segundo turno. O presidente e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro, fez 62% dos votos para presidente e foi o maior cabo eleitoral no Estado, colocando Jorginho em primeiro lugar, elegendo Jorge Seif senador e fazendo 11 deputados estaduais, a maior bancada da Alesc, e seis federais. Para o segundo turno, disse Jorginho em entrevista coletiva na tarde de ontem, a meta é levar Bolsonaro de volta aos 76% dos votos feitos em 2018 em Santa Catarina. Para garantir a vitória ao governo, vai fazer alianças sob o único pré-requisito de ser apoiador de Bolsonaro.

“Já estou recebendo ligações e apoio. De forma humilde e tranquila, todos os que apoiaram o presidente serão bem vindos”, disse. Questionado sobre quais candidatos poderia procurar, já que somente Décio Lima não apoiava Bolsonaro no primeiro turno, disse que não vai correr atrás de ninguém, porque se trata de projeto para o Estado.

Quanto à presença de Décio Lima no segundo turno, Jorginho atribuiu a erros dos demais candidatos, principalmente do atual governador Carlos Moisés. “Em eleição não se pode errar. Se errar, paga”, comentou, destacando a diferença de apenas 17 mil votos entre Décio e Moisés.

Dos 27 governadores brasileiros que enfrentaram a pandemia, aliás, 20 concorreram à reeleição. Doze foram reeleitos em primeiro turno e seis seguem para segundo turno. Apenas Moisés em Santa Catarina e o governador de São Paulo, Ricardo Garcia (PSDB), que era o vice de João Dória, estão fora da disputa, sem chance de reeleição.

Para Jorginho, a substituição de Moisés por Décio, bem longe do que apontavam as pesquisas de intenção de voto, acaba facilitando a disputa. Em campos opostos nacionalmente e sem que nenhum dos dois tenha a experiência de governador para comparar. Mesmo assim, o tom de Jorginho é contido, insiste que nenhuma eleição é fácil ou decidida antecipadamente e garante que será municipalista.

“Na política não sou efeito serrote, que corta tudo para recomeçar, sou escada, sigo acima. Ninguém seria irresponsável de descontinuar as obras e programas que estão em curso”, garantiu sobre o Plano 1000 que, no final das contas, rendeu mais gratidão dos prefeitos do que voto.

De todo modo, Santa Catarina seguirá com uma vice-governadora. A delegada Marilisa Boehm (PL) se Jorginho vencer ou a microempreendedora Bia Vargas (PSB) se Décio ganhar.

Votação histórica

Foto: Eduardo Valente/Divulgação

Joinville deu uma diferença de quase 106 mil votos a favor de Jorginho Mello sobre o segundo colocado Décio Lima. A marca superou os melhores resultados do ex-governador, já falecido, Luiz Henirque da Silveira. Moisés com o candidato a vice Udo Döhler (MDB) ficou em terceiro lugar na maior cidade do Estado. Jorginho festejou a companhia da sua candidata a vice, a delegada Marilisa Boehm, e já conversou com o prefeito Adriano Silva (Novo). Marilisa agradeceu à campanha pela oportunidade de ser ouvida, garantiu que as mulheres estão muito motivadas e que está pronta para a segunda batalha. Ambos reconheceram a suplente Ivete Appel da Silveira que, num gesto antecipado por Jorginho, assumiu o Senado e apoia a campanha desde a primeira hora. A viúva de LHS pode ser mais uma ponte para o MDB bolsonarista.

“Joinville vai ganhar uma senadora e uma vice-governadora com a minha eleição”, apontou Jorginho.

Se em Joinville, a chapa do PL somou quase 47% dos votos válidos, na Jaraguá do Sul do deputado estadual eleito Antídio Lunelli, candidato mais rico do Brasil e mais votado do MDB em SC, Jorginho conseguiu 56%. Mais que os 54% de Balneário Camboriú do recém convertido ao PL prefeito Fabrício Oliveira. Jorginho Mello, a propósito, ganhou em 10 das 11 cidades com mais de 100 mil habitantes.

Quarto lugar

Gean Loureiro venceu em Florianópolis com 33% dos votos. Décio Lima na segunda colocação com 24% e Jorginho Mello com 22%. Moisés na quarta colocação, com 12%, e Amin com apenas 4%. Um terço é pouco para quem colocou seu segundo mandato no jogo eleitoral. Juntou-se com forças tradicionais como a dos Bornhausen e Julio Garcia, teve boa estrutura com o União Brasil e apoio do prefeito João Rodrigues, mas no ranking estadual ficou na quarta colocação. Em rede social, agradeceu o meio milhão de votos e desculpou-se por não ter feito mais. Em São José e Palhoça ficou em segundo lugar, atrás de Jorginho Mello.

Onda forte

Esperidião Amin, ao que disse, disputou sua última eleição. “Minha vida eleitoral útil vai até 2026, seria como governador ou como senador”, dizia antes do resultado das eleições. “Houve uma transferência em massa de votos para o PL, demostrando que a onda a favor de Bolsonaro é muito forte em Santa Catarina, como foi em 2018. O eleitor escolheu, o fato é que votos estão apurados, eu celebro a democracia, agradeço aos companheiros e companheiras que foram solidários na caminhada e a luta continua”, disse na noite de domingo. O segundo turno será nova eleição e ninguém é dono dos votos, lembrou ele, porque voltam para o eleitor. Nesta terça, já em Brasília, acompanha a votação de mensagem que autoriza empréstimo de até US$ 25 milhões do Fonplata para Criciúma.

PT cresceu

O ex-presidente e candidato Luiz Inácio Lula da Silva quase encostou em 30% dos votos válidos catarinenses, dobrando a performance do PT em relação a 2018 com Fernando Hadad. Também ajudou Décio Lima a chegar ao segundo turno, feito histórico para os petistas catarinenses, que só rasparam a posição em 2002, com José Fristch. O desempenho do candidato ao Senado Dário Berger (PSB), encostando em Raimundo Colombo (PSD), foi muito parelho com o de Décio, provando a lealdade na mistura de sangue da chapa entre PT e PSB. Décio, aliás, fez além de Dário pouco mais de cem mil votos, praticamente o que Afrânio Boppré somou pelo Psol. Ontem de manhã, Décio deu folga à equipe depois da festa na avenida Hercílio Luz, em Florianópolis, e à tarde, fez reunião de coordenação.

Produção e edição: Adriana Baldissarelli (MTb 6153) para APJ/SC e ADI/SC, com colaboração de Cláudia Carpes. Contato peloestado@gmail.com