Santa Catarina saiu da pandemia com o menor número de mortes e o maior número de empregos. Para fazer valer esse legado nas eleições 2022, o governador Carlos Moisés pediu licença e passou o cargo ao presidente da Alesc, Moacir Sopelsa. Apesar de favorito na disputa, a campanha governista monitora o crescimento de Jorginho Mello (PL), candidato de Jair Bolsonaro em Santa Catarina.

Para encorpar a campanha nessa reta final, o MDB está se movimentando tanto para ativar os dirigentes partidários e sua força nos pequenos e médios municípios, quanto para conseguir recursos do fundo partidário. O candidato a vice, Udo Döhler, está confiante e deve se dedicar 24 horas por dia nas próximas semanas. O candidato ao Senado, Celso Maldaner, reassumiu a presidência da sigla para sensibilizar a executiva nacional a colaborar com a campanha de Moisés, pelo menos na paridade do que o MDB investe no Rio Grande do Sul.

“Faltava um gesto mais efetivo do governo. A entrada de Sopelsa, que é um emedebista raiz, com uma história bonita, construída com muita dedicação ao partido e à Santa Catarina, vai dar um estímulo bom, vai gerar a emoção que precisamos para ir às ruas”, disse Eduardo Pinho Moreira.

Com Paulo Afonso Vieira e Leonel Pavan, o atual presidente do BRDE completou o trio de ex-governadores presentes ao ato de transmissão do cargo. A solenidade - nem tão protocolar que deixasse de ser emocionante para familiares e amigos, nem tão partidária que constrangesse autoridades - destacou a convivência harmônica entre Poderes e os gestos de lealdade na política.

O governador em exercício, Moacir Sopelsa, que hoje completa 76 anos, agradeceu Moisés por valorizar o Legislativo e sua biografia. “Sinto sobre meus ombros o peso da responsabilidade. Agradeço pelo seu gesto de confiança, serei leal e darei continuidade ao seu governo”, garantiu.

Entrevista com Carlos Moisés

Governador licenciado, Carlos Moisés disse que, sabendo que Santa Catarina continua em boas mãos, terá condições de dedicar-se um pouco mais à campanha à reeleição. É uma campanha curta e sem ondas, diferente daquela de 2018, e que exige contato direto com o eleitor, disse. “Será uma escolha mais legítima, é eleição de diálogo com as pessoas”, acredita Moisés. Confira a entrevista:

O senhor vai conseguir o MDB agora com esse gesto?

O MDB já está conosco, na nossa coligação, o candidato a vice-governador é o Udo Döhler, foi prefeito de Joinville por duas vezes, homem honrado, nosso senador da coligação é Celso Maldaner, 155. Percebo que já estamos com o MDB nesta coligação, trabalhando para que a gente consiga continuar cuidando dos catarinenses. Esse é o meu papel agora, me dedicar mais exclusivamente à campanha, enquanto o ex-presidente da Assembleia, que muito me honrou assumindo o governo, toca os trabalhos no Executivo.

A menos de um mês da eleição, qual a maior diferença em relação a 2018?

Essa é uma eleição de conversa e diálogo com as pessoas, não é uma eleição com onda. O eleitor tem a possibilidade de olhar para o seu candidato, analisar a vida dele. Hoje o catarinense já conhece o governador Moisés, já conhece os resultados do governo. É um governo com números incomparáveis, muito superiores aos demais. Penso que é uma escolha mais legítima este ano. E aqueles que não conhecem, teremos a chance de procurar, para dialogar, mostrar os nossos números: por isso a dedicação exclusiva agora à campanha.

Qual a emoção desse gesto?

Estou em paz, sabendo que tem um homem honrado assumindo o governo de Santa Catarina. Ele continua cuidando dos catarinenses, do jeito que cuidamos até aqui, com a menor letalidade na pandemia e o menor desemprego do Brasil. Nós somos vencedores!

Agro forte

Foto: Adriana Baldissarelli/Pelo Estado

Diretora da Associação Empresarial de Concórdia (Acic) e vice-presidente da Ocesc, Elizeth Pelegrini, destacou que a o exercício do governo honra o munícipio e o agronegócio. “Como governador e como pessoa, Sopelsa vai fomentar o crescimento das pessoas e do agronegócio, que é seu berço”, comentou. E não é pouco. De acordo com a líder cooperativista, Santa Catarina representa 17% do agronegócio nacional, apesar de ocupar apenas 1,1% do território e abrigar 3,3% da população. A região do Alto Uruguai, apontou, seguirá atenta aos movimentos para que a Ferroeste saia do papel e, particularmente, em Concórdia, para que seja enfrentado o gargalo da falta de habitação popular. “Nosso município tem demanda muito grande de casas para os trabalhadores que vêm de fora. Temos muitas vagas, precisamos de mão de obra, mas não temos como reter os trabalhadores porque falta habitação”, lamentou.