A eleição para presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina só ocorre em janeiro de 2023, mas já está sendo amarrada e influencia até o modo como são declarados apoios neste segundo turno das eleições para o governo. Hoje, seguem no Palácio Barriga Verde 24 dos 40 deputados e deputadas estaduais que estarão ano que vem para o novo mandato.

Num primeiro olhar, os resultados do primeiro turno derrubam o sonho da deputada Paulinha, do Podemos, de chegar à presidência da Alesc. Animam as expectativas de Maurício Eskudlark, reeleito pelo PL, vice-presidente que passou 30 dias como titular, enquanto o presidente Moacir Sopelsa (MDB) esteve no exercício do governo. Deixam em banho-maria pretensões dos dois ex-presidentes, reeleitos para a próxima legislatura Julio Garcia (PSD) e Mauro de Nadal (MDB).

Mas, para apurar o foco, é preciso observar como andam os pretendentes e seus partidos em direção ao segundo turno. A conta para chegar à presidência da Alesc começa quando o candidato consegue colocar 21 deputados no mesmo lado. Para experientes nas emoções do Poder Legislativo, há dois possíveis cenários no caso de vitória de Jorginho Mello (PL).

O primeiro cenário é, se eleito, optar pela atração de 10 deputados para somar aos 11 já eleitos pelo PL e montar uma candidatura já no espectro da base de apoio. Se for hábil, o então governador eleito cederia a vaga de presidente da Alesc a parlamentar de sigla aliada. Jorginho com quatro mandatos vividos na Alesc inclusive como presidente em 2009 é considerado um político hábil, conciliador e experiente, daqueles que “nunca coloca todos os ovos na mesma cesta”, como ele mesmo costumava falar.

O segundo cenário é o que parece mais provável, já que siglas importantes como PSD ficará neutra do segundo turno e MDB encaminha voto para 22, mas respeita quem não acompanhar. Nesse caso, os parlamentares construiriam a própria chapa para a Mesa Diretora que, de forma republicana, se manteria com independência e equilíbrio em relação ao Executivo. Para isso, somariam 21 votos entre as bancadas do MDB, PT, PSD, PSDB, PP e por aí vai.

A tradição na Assembleia é o governador priorizar a construção de base sólida. Para eleger o presidente, bastam 21 votos, mas o governador precisa de pelo menos 24 deputados para aprovar emendas constitucionais e projetos de lei complementar e manter vetos. Agora é esperar para ver o estilo de jogo da vasta bancada do PL, que só perde para a de 12 emedebistas eleitos no segundo governo de Luiz Henrique.

Sem salto alto

Foto: Eduardo Valente/Divulgação

O candidato Jorginho Mello reuniu as bancadas estadual e federal eleitas pelo PL, as maiores tanto na Alesc como na Câmara dos Deputados, e pediu para todos caminharem ao segundo turno como ele: sem salto alto. As duas bancadas, aliás, mostram a força do conservadorismo feminino em Santa Catarina, já que são capitaneadas por mulheres, Carol de Toni, deputada federal reeleita com 227 mil votos, e Ana Campagnolo, deputada estadual reeleita com 196 mil votos. “Não existe eleição ganha. Precisamos ter a humildade de apontar os nossos erros no primeiro turno e corrigi-los para o segundo”, recomendou. Apesar de fechar o primeiro turno na ponta, com 38,62% dos votos válidos e mais de 1,5 milhão de votos, Jorginho pediu concentração, força e união da sigla pela reeleição do presidente Bolsonaro. “A coisa mais importante daqui pra frente é a eleição do Bolsonaro, pois de nada adianta a gente fazer a maior bancada, o senador e não ter o presidente. Eu peço a todos vocês que não descansem um minuto! É o nosso futuro e do país que está em jogo”, insistiu o candidato.

Sem oportunismo

Foto: Divulgação

PSD decidiu manter-se neutro no segundo turno na disputa entre Jorginho Mello e Décio Lima (PT). De acordo com o presidente estadual, Milton Hobus, o partido vai continuar apoiando o presidente Jair Bolsonaro na esfera federal, mas deixará o partido livre em Santa Catarina. "Até por ter apoiado outro candidato no primeiro turno, seria oportunismo nosso apoiar uma eleição que está praticamente ganha", destacou Hobus, sobre Gean Loureiro (União Brasil) no primeiro turno e Jorginho Mello no segundo. O PSD elegeu três deputados estaduais, Mário Motta, Julio Garcia e Napoleão Bernardes, e dois federais Ismael dos Santos e Ricardo Guidi.

Governo plural

O candidato da Frente Democrática (PT, PSB, PCdoB, PV e Solidariedade), Décio Lima, garantiu em entrevista à NSC que não tem inimigos e buscará apoio de todos para governar Santa Catarina, caso seja eleito. Já no primeiro turno, em ambientes como o da Fiesc, o petista prometia gestão plural. “Ninguém governa esse Estado sozinho. Precisamos governar com todas as forças políticas e com todos aqueles que induzem o desenvolvimento econômico em nosso Estado. Acredito que essa aglutinação tornará Santa Catarina mais justa e próspera”, afirmou o candidato alinhado ao ex-presidente Lula. O petista também informou que, se eleito, pretende conquistar o apoio dos diferentes partidos na Alesc e governar em conjunto com sociedade.