Depois de atingir nível crítico no segundo semestre do ano passado, o estoque das indústrias recuperou-se em abril e votou a ficar próximo do planejado, reduzindo a escassez de matéria-prima. A conclusão consta da pesquisa Sondagem Industrial, divulgada na quinta-feira (20) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O índice de estoques encerrou abril em 49,6 pontos, próximo da linha divisória de 50 pontos. Indicadores abaixo de 50 pontos mostram estoques abaixo do planejado. Acima desse valor, estão acima do previsto - e indicam, em casos elevados, falta de consumo - um cenário tão indesejável quanto, levando à deflação e redução na produção para evitar o encalhe - com desemprego resultante - e no longo prazo, inflação explosiva.

Desde maio, o índice de estoques estava abaixo dos 50 pontos. Os menores níveis foram atingidos em setembro e outubro, quando ficou em 43,4 pontos e 43,3 pontos, respectivamente. De lá para cá, o indicador começou a recuperar-se, mas ultrapassou os 49 pontos em abril.

Segundo a CNI, esse ajuste é importante porque a redução do estoque das indústrias causou impacto no fornecimento de insumos e de matérias-primas ao longo dos últimos meses, elevando preços e prejudicando o setor.

No entanto, nem tudo vai bem: depois de uma leve recuperação em março, o índice de produção industrial voltou a cair em abril, fechando o mês passado em 46 pontos. Assim como nos índices anteriores, a linha divisória está em 50 pontos. Valores inferiores indicam queda; e valores superiores, alta.

Essa queda na produção não afetou o emprego, no entanto. A pesquisa indica que as indústrias ainda não estão demitindo, apesar da queda na atividade provocada pela segunda onda da pandemia de covid-19.

A utilização da capacidade instalada (UCI) ficou em 68% em abril, percentual idêntico ao de março. O percentual é o maior para o mês desde abril de 2014, quando estava em 71%. Desde agosto de 2020, o indicador tem ficado em níveis superiores aos dos mesmos meses dos cinco anos anteriores.

A pesquisa ouviu 1.783 empresas industriais entre os dias 3 e 12 deste mês. Desse total, 704 são indústrias de pequeno porte, 634 de médio porte e 445 de grande porte.

Isenção

Um total de 628 produtos usados no combate à pandemia de Covid-19 continuarão a entrar no País sem pagar tarifa de importação até o fim do ano. O Comitê Executivo de Gestão (Gecex) da Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogou em seis meses o prazo da resolução que zera o imposto.

A lista inclui medicamentos, vacinas, equipamentos hospitalares, itens de higiene pessoal e outros insumos. O prazo de isenção acabaria em 30 de junho, caso não houvesse a prorrogação.

Salários versus inflação

A maioria das negociações salariais no mês de abril não repôs a inflação, mostra o Boletim Salariômetro da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). No período, 59,7% das negociações não repuseram a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

O reajuste mediano ficou em 6%, enquanto a inflação ficou em 6,9%. Apenas 14% ficaram acima do INPC, representando um ganho real para as categorias.

O levantamento mostra ainda o piso médio em abril, que ficou em R$ 1.335. No cálculo anual, o valor médio é de R$ 1.319. E nos últimos 12 meses, de R$ 1.407.

Falência

A 6ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) decretou por unanimidade a falência das empresas MMX Mineração e Metálicos S.A e MMX Corumbá Mineração S.A. A notícia foi antecipada pela coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo.

As mineradoras de Eike Batista estavam em recuperação judicial e devem mais de R$ 4 bilhões a credores como bancos e fornecedores, além da própria União.

As empresas haviam pedido o adiamento do julgamento, mas a corte indeferiu o pedido por falta de embasamento.