Entre altas e quedas, Bitcoin segue cercado de incertezas

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Por: Pedro Leal

sexta-feira, 01:04 - 16/02/2018

Pedro Leal
Há exatos dois meses, o mundo era tomado pelo furor ao redor do Bitcoin, então em rápida valorização: a moeda começou o ano cotada em US$ 1 mil, chego a dezembro na casa dos US$ 10,000, e continuou subindo até a metade do mês em um frenesi de aquisições. No dia 16 de dezembro de 2017, a criptomoeda chegava ao seu maior patamar histórico: US$ 19.343. Desde então, se sujeitou a instabilidade e uma perda progressiva de valor, aumentando os temores de que a "bolha" teria estourado - neste dia 5, a moeda havia voltado a ficar abaixo da linha dos sete mil dólares. Agora, passados dois meses do ápice, o Bitcoin voltou a recuperar o seu valor, mas ainda está muito abaixo do seu auge: Pela manhã, o site CoinDesk cotava a mais conhecida das criptomoedas em US$ 9,795.24 - pouco mais de metade do valor que tinha em dezembro. Durante a manhã, a moeda seguia em tendência de leve queda, perdendo 2% de  valor desde a abertura, quando cotava US$ 10,016.34. O mercado segue incerto quanto ao futuro da moeda: no programa Shark Tank, da rede americana CNBC, investidores do mercado financeiro se dividiam quanto aos desenvolvimentos futuros do Bitcoin e do setor de criptomoedas. Em artigo para a Rede Brasil Atual, os economistas brasileiros Guilherme Mello e Pedro Rossi indicam também incerteza quanto ao impacto que as flutuações - e um possível colapso - teriam sobre o mercado financeiro. A falta de conhecimento sobre os mecanismos do segmento continua sendo um problema, como foi apontado pelo executivo americano Kevin O'Leary, que apontou que 99% das pessoas com investimentos em Bitcoin não sabem como a moeda funciona. Essa falta de conhecimento torna o mercado sujeito a golpes - como um investigado pela polícia austríaca, afetando mais de 10 mil investidores - e investimentos imprudentes. Daymond John, CEO da grife americana FUBU, destacou que quem quer investir neste mercado deve começar a estudá-lo e começar agora. Em um artigo para a revista Bloomberg, o analista financeiro Mike McGlone fez um alerta, comparando o padrão do mercado de criptomoedas com a bolha das .com dos anos 90: caso siga no padrão atual, similar ao das .com, o valor da moeda tenderia não aos US$ 9 mil atuais, mas a um muito menor: US$ 900. Parte deste risco viria da multiplicação de "forks" (subdivisões) da rede original da Bitcoin e de outras criptomoedas, inflando o mercado artificialmente.

Vantagens da moeda também são riscos

A falta de lastro da moeda, regulada apenas por oferta e procura, é outro fator de preocupação - e de interesse. Por ser regulada somente pelo mercado, e não por órgãos reguladores ou um lastro "real", a moeda se tornou o sonho dos anarcocapitalistas - e por ser irrastreável, se tornou moeda corrente em transações sigilosas na web - mas os mesmos fatores que a tornam atraente oferecem seus riscos, como manipulação de mercado, uso ilegal e fraude. Ao mesmo tempo, há quem defenda que as criptomoedas sejam de fato o futuro - embora duvidem da capacidade do segmento em manter a diversidade imensa de moedas e o ritmo de criação de moedas novas: em Janeiro, eram 1.384 criptos ativas no mercado. Hoje, o número já havia saltado para 1.542. No Shark Tank, a executiva americana Barbara Corcoran ressaltou que a maioria das 'criptos' são complicadas demais para o uso geral, indicando que enquanto o Bitcoin tem possibilidades de valorizar ainda mais, é provável que as moedas menores venham a desaparecer. Por ora, a tendência indica uma recuperação de valor, gravitando em torno dos US$ 9.500, mas não há consenso quanto a se a moeda vá subir além deste patamar ou se ela vai voltar a cair. Os mesmos conselhos continuam a valer para quem deseja investir no setor: comece com pouco e não prejudique sua saúde financeira. No auge da febre, em dezembro, enquanto a moeda se dirigia ao seu pico e antes do mercado entrar em um relativo colapso, investidores inexperientes e afobados hipotecaram suas casas e fizeram empréstimos a juros altos para comprar bitcoins. Um investimento, quer você acredite ou não na valorização do setor, deveras irresponsável.
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