O pacote econômico apresentado pelo ministro da economia Paulo Guedes e sua equipe, é mais uma tentativa de salvar o país de eventual colapso. E o pior deles seria admitir a incapacidade de cumprir compromissos, principalmente os sociais – ou por excesso de benesses ou por falta de eficiência na gestão da coisa pública. Em situações extremas como esta, o primeiro reflexo é a instabilidade institucional da pátria combinada com a ruína política de potenciais dirigentes partidários. O pacote de Guedes impressionou especialistas, mas deixou uma série de pontos de interrogação. Mas sobre eles, teremos tempo pra versar.

Por mais impactante, acabou sendo farol baixo, diante da ação da Polícia Federal numa operação que poderia ser chamada de “peixe graúdo”, “Strike” ou “prisão a granel”. Numa mesma ação foram colocados sob a lente investigatória da justiça os senadores Renan Calheiros, Eduardo Braga e Jader Barbalho; o ex-senador Valdir Raupp, o atual governador do Pará Helder Baralho, o ex-ministro Guido Mantega e nem mesmo a ex-presidente Dilma Roussef, ficou de fora. Informações dão conta inclusive que o nome dela teria sido citado para eventual prisão preventiva – negada, evidentemente.

O que mais impressiona é o enredo – benefícios que lubrificaram campanhas políticas ou projetos pessoais de empoderamento de agentes públicos. Gente que ganhou dinheiro – e muito dinheiro, para trabalhar pouco, mas que perderam para a ganância extrema, que sempre foi maior que os compromissos assumidos por estes políticos com seus eleitores – durante as campanhas eleitorais, nas urnas e no escopo dos partidos aos quais pertencem.

Tem um dito popular muito antigo, que estabelece que o diabo sabe fazer a panela, mas erra na tampa. E o pior é que parece que esta panela, foi feita propositalmente para colocar em efervescência extrema políticos. Afinal de contas, poucos são os que não se envolveram em alguma situação estranha – por uma ou outra razão.

Nos últimos anos, uma parte do empresariado decidiu ser investidor em campanha política. E os exemplos mais recentes são as empreiteiras que ou faliram ou se arrebentaram. Até mesmo uma potência frigorífica estabeleceu relações não muito pequenas com um lado contaminado da política. E todos sabem o resultado.

A operação da Policia Federal só não teve um efeito “Strike!” porque parte do STF e do Ministério Público seguraram a onda. Talvez devessem ter liberado a operação de forma completa, para que pelo menos alguns daqueles que continuam operando coisas erradas entendessem que a justiça, quando quer, não brinca – atua, autua e mostra serviço. Se os envolvidos não fossem graúdos, nenhuma dúvida de que o resultado seria outro.

 

 

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