A arguição dos ministros do STF, ao reformar a aplicabilidade da prisão em segunda instância muito mais complicou do que esclareceu o que é vivido por um ex-presidente da república e cerca de cinco mil presos, em condição igual a dele. Os 11 integrantes da corte – sem nenhuma exceção, foram escolhas políticas. A capacidade de cada um passou longe de ser o principal requisito. Não se habilitaram por capacidade técnica. Por ironia do destino o que os definiu como detentores de poder jurídico vitalício, foi uma sabatina aplicada por quem mais tarde estará entre outras coisas, arrolado por eventual improbidade administrativa.

Pareciam estar pisando em ovos – tamanho o cuidado como proferiram seus votos. Disseram ser contrários a que o país continuasse sendo roubado ou que seus gestores permitissem novos escândalos como mensalão, Petrolão, mala de dinheiro, dinheiro em caixas de papelão, dinheiro na cueca, propinas, desvios, vantagens e todos os similares já denunciados e que aconteceram por conta de liberdade e poder extremo de agentes políticos irresponsáveis.

Uma tentativa de limpeza moral, em dois anos conseguiu colocar dois ex-presidentes da república e dois presidentes da Câmara, atrás das grades presos como corruptos comuns, como se ladrões da república e porque se não roubaram, permitiram roubar. Mas quando o julgamento é político, não funciona a tese: errou paga, seja quem for.

Revisar a prisão em segunda instancia é dar sinal verde ao crime do colarinho branco. É fechar os olhos para atos de corrupção ignorar completamente o conteúdo de delações, é desconsiderar investigações do MP e oitivas para coleta de documentos que apontam improbidade – um guarda-chuva para todas as maracutaias que a política é capaz de promover. A decisão pode até ter respaldo à luz da Constituição, mas não deixou de ser um tapa na cara do povo que viu permitidas por 6 votos a cinco, todas as coisas erradas, potencializadas no famoso crime que compensa. Ao misturar democracia com liberdade, a decisão do STF contribuiu para que rissem da cara do povo, mais uma vez.

O brasileiro vive de costumes e hábitos. Num velório, por exemplo, enquanto muitos choram, há quem encontre motivos para descontrair. Enquanto um corpo descansa, deveria haver prece, oração e reflexão, de repente aparece uma garrafa de café e uma boa conversa para passar as horas mais rápido e até algumas misturinhas. Se o morto é um artista, então, até música tem.

Ontem, teve foguetório. Festa em Curitiba, festa em São Bernardo, festa na sede da CUT, festa no PT e festa em frente ao STF. Um país que saiu às ruas para pedir o fim da corrupção, viu militantes celebrar a soltura do ex-presidente Lula com barricas de cachaça – a bebida preferida de seu líder maior. Só não fez festa quem considerou a decisão um deboche nacional da justiça. Mas, fazer o quê, se a isso também é dado o nome de democracia, comprovando que nada é perfeito.

 

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