A trégua política e o esforço conjunto de lideranças de diversos partidos na busca de soluções para Guaramirim é, segundo o prefeito Luís Antônio Chiodini (PP), um dos principais destaques dos cem primeiros dias de seu governo. O professor acredita também que a valorização do servidor de carreira e a reestruturação da máquina pública são fatores fundamentais e que dão o tom na arrancada da administração. Por telefone, de Florianópolis, onde estava na busca por recursos, Chiodini concedeu uma entrevista à coluna, afirmou que está tendo mais trabalho do que imagina. Mas disse acreditar estar no caminho correto. Luis Chiodini prefeito Guaramirim - em (5)-2 Confira a entrevista: Como o senhor avalia os cem primeiros dias da sua administração? Foi de muito trabalho. Não sabia que a demanda seria tão grande. Atuamos muito focados na reestruturação da máquina pública, com um novo conceito de administração. As secretarias passaram a atuar em conjunto, Saúde com Educação e Cultura, e Obras com Agricultura, por exemplo. Trabalhamos de forma criativa em função da crise econômica. Estamos fazendo mais com menos. O senhor assumiu prometendo economia com as nomeações. Cem dias depois, o pensamento é o mesmo? Claro. Com o novo organograma teremos uma economia de R$ 1 milhão ao ano. Sabemos que a situação econômica é difícil. Nossa arrecadação não dá conta de suprir nossas necessidades. Apesar disso, estamos pagando as contas em dia. O caixa está sendo avaliado frequentemente para que, se preciso, a gente tome as decisões necessárias e faça mais cortes. Mas não gostaria de tirar nada do servidor de carreira. Precisamos deles motivados para prestar um bom atendimento à população. Junto com a economia em relação aos cargos comissionados também implantamos uma nova visão sobre o serviço público. Não tem mordomia para aliado do prefeito. Aqui todo mundo é igual, precisa cumprir hora e ter responsabilidade.

"Mas não gostaria de tirar nada

do servidor de carreira. Precisamos

deles motivados para prestar um

bom atendimento à população."

Administrar com essa escassez de recursos é politicamente ainda mais difícil? É difícil, mas ao mesmo tempo está acontecendo uma coisa muito bacana em Guaramirim, que é a união dos partidos. Todo mundo quer recuperar a imagem da cidade, a autoestima dos moradores. PP, PMDB, PSDB e PSD, todo mundo está ajudando, começando pelo presidente da Câmara, Osni Bylaardt (PMDB). Isso é ótimo. Só com isso já conseguimos garantir R$ 1,5 milhão em emendas. Até julho, a meta é garantir R$ 7 milhões. É um momento de trégua que vai render bons frutos para cidade. Na Saúde, o que esperar do hospital municipal que passou os últimos quatro anos funcionando precariamente? Conseguimos com a Secretaria de Saúde do Estado um gestor profissional, que tem capacidade para fazer uma leitura cirúrgica sobre o que precisamos e para onde vamos ir. Garantimos R$ 400 mil para a realização de um mutirão de cirurgias, que serão realizadas no nosso centro cirúrgico. Já temos também projeto para ampliar o hospital e melhorar o atendimento na rede básica. O trabalho é intenso, mas estamos no caminho certo. Quais seus outros projetos? Eu destacaria que a cultura que estamos implantando. O zelo pelo patrimônio público é essencial. Não podemos desperdiçar dinheiro nem tempo. Toda engrenagem da administração passa por esse conceito. Também conseguimos tirar o condomínio industrial do papel, os terrenos estão sendo vendidos, o dinheiro será reinvestido no município. Em dois meses vamos apresentar uma nova lei para atração de empresas para fazer a economia da cidade crescer. Em parceria com a iniciativa privada estamos desenvolvendo um projeto de criação de uma rota gastronômica na SC-108, do trevo até Massaranduba. Vamos arborizar o trecho e fazer valer o título que Guaramirim tem de capital da palmeira real. Na Assistência Social estamos desenvolvendo um projeto de reinserção na sociedade das famílias carentes. Também vamos entregar em breve 150 escrituras pelo Lar Legal, de regularização dessas moradias. Na educação, o esforço maior até agora está no levantamento de demandas reprimidas e que teremos que atender.