Qualquer que seja o resultado da votação deste domingo, - pelo que tudo indica o impeachment da presidente Dilma Rousseff será aprovado - , não haverá vencedores, embora a festa já esteja programada. Ao contrário do que está no imaginário de muitos, o duelo que se trava em Brasília não é uma luta de mocinhos e bandidos, de honestos contra corruptos. Assim como política não é futebol. A hipocrisia de dois lados apaixonados e raivosos tem sido um grande entrave para que o Brasil deixe de ser o país do futuro e passe a ter um presente mais digno e um debate menos raso. Onde a produção e o trabalho sejam estimulados. Onde todos tenham acesso á educação de qualidade e a segurança seja uma realidade. São tantas manobras, denúncias, listas e delações que não há como não se espantar com o que acontece. Dizem até que quem não está com dúvidas é porque está mal informado. De um lado, um partido eleito representando a esperança chega 14 anos depois afundado na lama, com uma economia arrasada e envolvido em desvios e pagamento de propinas até o pescoço. De outro, uma oposição que recebeu essas propinas, que está no poder há décadas e décadas e que encenando um teatro para os desavisados vai continuar. Não dá para se enganar. O interesse do Congresso pelo combate à corrupção é mínimo. Os discursos podem ser acalorados, mas quem se der ao trabalho de dar um google no nome do sujeito pode se espantar. Ironicamente, o Brasil tem Eduardo Cunha como símbolo de luta contra um governo corrupto. Nem os novelistas da Globo conseguiriam ser tão criativos. Mas na vida real não haverá final feliz enquanto a luta por um país melhor for seletiva e superficial e nem enquanto a salvação estiver simbolizada em um suposto ‘pai dos pobres’. Afastar o PT do governo pode melhorar alguns indicadores econômicos e a confiança do mercado, porém, a corrupção continuará entranhada no poder público e no privado como sempre esteve. Muitos dos envolvidos na Lava-Jato vão continuar dando entrevistas e posando para fotos como autoridades. Canalhas vão estar ao lado dos manifestantes que saíram às ruas de verde e amarelo lutando por um futuro melhor. Mas será que é isso que a sociedade realmente quer? Ser enganada? Fazer parte de uma farsa? Apenas tirar um partido do poder e, simples assim, o problema acaba? A única saída honrosa a ser construída para o país é se o afastamento da presidente for apenas o começo da limpeza. Depois dela, muitas peças precisam cair, do partido A ao Z. E o terceiro passo é obrigatoriamente uma ampla reforma política, acabando com privilégios, com essa ‘suruba’ de partidos que não representam ninguém e dando fim à coligações esdrúxulas que só se sustentam enquanto há um farto manjar - às custas do dinheiro público – para dividir. Isso sim seria uma mudança. O resto não passa de uma história mal arranjada de uma cabeça a prêmio.

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Urgência, urgentíssima Se a Câmara não votar até terça-feira o projeto de lei que autoriza o município a contrair financiamento de R$ 8 milhões para modernização do sistema e para obras de pavimentação, a Prefeitura não poderá licitar as melhorias antes das eleições. O projeto já havia sido aprovado no início do ano, mas voltou à Casa com modificações no dia 6 em função de mudanças solicitadas pelo BRDE. As ruas contempladas são Dorval Marcatto, no bairro Tifa Martins, Arduino Perine, no Jaraguá 99, Irineu Franzner, no Tifa Martins, Amandus Rengel, no Rio da Luz, e Cecília Planinscheck Marquardt, no Rau. A oposição rejeitou o projeto no ano passado e agora parece não ter muita pressa para fazer a análise.

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Mensagens de apoio A notícia de que o ex-prefeito e médico pediatra Moacir Bertoldi está na UTI em função de um princípio de infarto fez com que centenas de pessoas prestassem mensagem de apoio. Familiares garantem que Moacir se recupera bem, está consciente e conversa. Na próxima semana, os médicos devem decidir qual procedimento será necessário.

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