O ano de 2018 termina melhor do que começou. As contas estão em dia com uma margem para investimento e segurança econômica. Nos próximos dias, a Prefeitura injetará no mercado R$ 50 milhões, referentes ao pagamento da segunda parcela do 13º do funcionalismo, salário e férias, que dessa vez será paga antecipadamente.

Além disso, obras de pavimentação acontecem em diversos bairros da cidade, o município voltou a investir na compra de material escolar, melhorou os procedimentos na Saúde e comemora alguns avanços que o prefeito Antídio Lunelli chama de invisíveis à população.

Segundo ele, do ano passado para cá, foram mais de 150 mudanças na legislação, a grande maioria com o objetivo de destravar a máquina, desburocratizar e regulamentar.

Na manhã de ontem, Lunelli recebeu nossa equipe para uma entrevista de balanço. Chegou ao gabinete com um número de telefone que tinha escutado em um anúncio de rádio.

Era de uma mulher que estava colocando gansos à venda. Ele estava disposto a comprar para fazer companhia a pavões, marrecos e galinhas que cria em uma propriedade em Nereu Ramos.

Na visão do empresário, as dificuldades de caixa e imposta por um sistema que, segundo ele, foi feito para não funcionar, foram superadas por uma equipe competente e em função da política adotada de controle rígido de gastos. Os números, atualmente, podem ser conferidos por ele e pelos secretários em tempo real.

Para o próximo ano, a administração espera conseguir entregar mais obras, dar continuidade nas melhorias em pastas estratégicas como Saúde e Educação, além de ter que enfrentar velhos dilemas, como a licitação do transporte coletivo.

Depois, em 2020, uma nova disputa municipal será aberta e Lunelli diz estar no páreo.

Confira agora a entrevista exclusiva de Antídio Lunelli para a coluna:

O ano de 2018 foi melhor do que 2017?

Sim. Foi um ano bastante positivo, apesar das dificuldades de receita. A economia ainda está estagnada, retraída. Mediante tudo isso e aos números que alcançamos, posso dizer que o ano foi positivo.

 

Nossa equipe é de muita competência. Pelo menos 70% do nosso secretariado é de ponta. E fechamos o ano com as contas em dia. Serviços ampliados. Mas queremos melhorar muito. Sabemos que em 2019 ainda teremos queda do ICMS, que só será revertida em 2020, 2021.

 

Conseguimos, mesmo diante de tantas dificuldades, entregar obras, então, posso dizer que estamos felizes e esperançosos. Estamos fazendo gestão com seriedade e faremos até o último dia, sem ficar devendo nada para ninguém.

O senhor disse que está satisfeito com 70% do secretariado. Os outros 30% serão substituídos?

Aqui nós entramos um pouco na questão política. Nossa gestão é muito técnica. Mas estamos em uma coligação, não podemos ignorar esse fato. E temos algumas questões políticas que precisam ser resolvidas.

 

Vamos chamar os partidos e onde não está acontecendo a entrega vamos pedir a substituição. Essa conversa vai acontecer.

Diferente de 2017, quando o grande esforço foi de reestruturação e corte de gastos, em 2018 o foco maior foi a busca de recursos para obras. Qual o resultado?

Muito bom. Saímos do conceito E para A. Quando começamos não conseguíamos crédito, tínhamos dívidas atrasadas.

 

Hoje, temos sinal verde para pegar US$ 50 milhões de financiamento internacional. Nós conseguimos mudar os números e a condição e pagamento do nosso município é muito melhor.

 

Em principio, nós não vamos mexer com isso (financiamento internacional) em função da burocracia, morosidade. Com as poucas economias que a gente faz e empréstimos mais caseiros, nós conseguimos fazer as obras.

 

Esse empréstimo internacional é muito importante para o futuro. Mas nós temos apenas mais dois anos de governo e não sabemos como isso vai ficar. Existe preocupação com a sucessão.

Esse dinheiro ficaria para o próximo governo investir?

Sim. Não sei se nós conseguiríamos investir 10% desse recurso. Para próxima gestão ficaria praticamente todo esse montante. Mas isso depende da cabeça do próximo prefeito. Existe preocupação com o futuro.

 

Nós temos um financiamento bem alto já do Issem, de dívida antiga. Acumulando parcelas altas, existe nossa preocupação. Em um cenário como 2016, 2017, seria muito difícil pagar.

Então o financiamento internacional está sendo repensado?

Isso. O que estamos fazendo é avaliando várias linhas de crédito nacional. Porque hoje temos poder de negociação grande quanto às taxas.

 

Estamos aprovando os projetos na Câmara. Não significa que vamos pegar todo esse dinheiro. Mas vamos poder negociar.

 

Também aumentamos nossa capacidade de fazer obra com recurso próprio.

O senhor já pensa em 2020?

Nós estamos muito esperançosos que as coisas comecem a mudar, Processos sejam simplificados, investimentos impulsionados. No setor público é muito complicado. Às vezes a gente se sente inútil. É inadmissível o processo, a gestão política que nós instauramos no Brasil.

 

Poderíamos produzir, entregar muito mais. É tudo engessado, burocrático. Isso desanima bastante. Mas estamos esperançosos que com o Bolsonaro comece a mudar.

 

Os municípios ficam com apenas 13% dos recursos e precisam dar conta de tudo. Não pode ser assim.

Mas pensa ou não em uma candidatura em 2020?

Eu estou no páreo.

O senhor considerada a eleição de outubro uma derrota para o MDB?

O MDB do Sul do Brasil é diferente, mas com efeito do tsunami do 17 todos os grandes partidos saíram prejudicados, todos diminuíram. Vai existir um encolhimento maior, ou uma junção de alguns e outros podem ser extintos.

 

Eu sou centro direita, meu numero é 15, eu gosto do MDB, mas tenho minhas convicções. O MDB, tirando o do Sul, está tão sujo quando PT, PP, PSDB, todos os grandes estão no mesmo barco e se puxarem a rede ainda vai muita gente para cadeia.

Quais as demandas mais urgentes com o governo Carlos Moisés?

Espero que ele tome as medidas necessárias para conseguir equilibrar as contas do Estado. Tenho preocupação talvez pela falta de conhecimento mais de gestão. Afinal, ele faz parte do sistema público catarinense.

 

Espero que ele se assessore muito bem e que tome as medidas necessárias. Penso que vai ser um período difícil de entrega, mas tenho esperança, pela proximidade com Bolsonaro, e por ter sido o segundo Estado que mais deu votos para o Bolsonaro, que ele olhe para Santa Catarina de forma diferente e assim a gente tenha recurso para investir.

 

Sabemos, porém, que sem reforma e sem diminuição da máquina pública não vai acontecer nada.

E em relação ao governo Bolsonaro, qual a expectativa?

É a hora dele fazer as reformas que o país precisa. Mesmo que ele tenha minoria no Congresso, nessa hora não vai ter dificuldade. Eu estou otimista. Tem que fazer reforma da previdência, tributária, um novo pacto federativo.

 

É um governo liberal e de resgate das famílias, o que é ótimo. Acho que a gente precisa passar pelo governo Bolsonaro e depois que venha algo mais de centro.

 

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