Prestes a assumir o mandato de deputado federal, Carlos Chiodini fala sobre suas expectativas e o que pensa sobre as reformas, privatizações, privilégios da classe política e arrancada de Bolsonaro.

Com assuntos delicados e importantes prestes a serem pautas do Congresso Nacional, o jaraguaense Carlos Chiodini (MDB) se prepara para assumir uma cadeira de deputado federal. A mudança para Brasília está marcada para segunda-feira, mas ele garante que semanalmente estará na região para atender os eleitores.

Um dos seus primeiros compromissos na capital do país será a votação para presidência da Câmara, que acontece logo após a posse, na sexta-feira, dia 1º de fevereiro. Chiodini admite que a previsão de vitória de Rodrigo Maia (DEM) e Renan Calheiros (MDB) é uma derrota para tão pregada nova política.

O ano promete ser intenso politicamente, com votações importantes envolvendo as prometidas reformas e rixas ideológicas. Chiodini acredita que os dois mandatos e meio como deputado estadual, a experiência de comandar uma secretaria de Estado e o Porto de São Francisco o prepararam para este momento.

O jaraguaense é um dos representantes mais expressivos do MDB catarinense na atualidade e diz que o partido não reivindica ter cargos no governo Jair Bolsonaro, porém, avisa que a contrapartida esperada pelo apoio é ver as ações e obras, como a duplicação da BR-280, saindo do papel.

A urgência número um do país, acrescenta, é a retomada da economia e a consequente abertura de novos postos de trabalho. “Nada é mais importante do que ajudar a mudar a realidade dos 20 milhões de pessoas sem emprego”, defende.

Na entrevista a seguir, Chiodini comenta também sobre a arrancada de Bolsonaro, os planos de privatização e os privilégios da classe política.

Qual a expectativa da mudança para Brasília? O senhor está com malas prontas?

Depois de uma trajetória, são doze anos de participação direta, com dois mandatos e meio como deputado, secretário de Estado, diretor de empresa pública, foi esse caminho que nos levou agora ao mandato de deputado federal. É um mandato importante.

 

A nossa região há muito tempo carecia dessa representação. Dia primeiro de fevereiro é a posse. Eu estou pronto. Creio que a vida me deu condições de exercer o mandato à altura da sociedade e vou trabalhar para honrar o voto de quase cem mil catarinenses.

Uma das primeiras definições logo após a posse será a eleição para presidência da Câmara. Qual deve ser o seu voto e como enxerga o cenário?

Eu estou indo para Brasília na próxima segunda-feira que é dia 28. Nos dias 29, 30 e 31, esses três dias que antecedem à eleição, vão definir tudo. Eu não tenho voto ainda formado.

 

Tenho simpatia pela candidatura do deputado Alceu Moreira, do Rio Grande do Sul, que é da nossa bancada, mas vamos ver como vão ficar as composições.

 

O favoritismo hoje é de Rodrigo Maia, vários partidos já indicaram apoio a ele, o que não é o caso do meu partido.

 

Nós vamos votar no melhor para o Brasil, em uma direção para Câmara que paute as reformas e dê agilidade às decisões.

Assim como Rodrigo Maia é favorito na eleição para presidência da Câmara, Renan Calheiros é hoje quem tem mais chances de vencer no Senado. A eleição dos dois não será uma derrota para tão pregada e comemorada nova política?

A sociedade quer renovação. Eu sou totalmente contra essa pré-candidatura de Renan Calheiros. Já foi presidente, ministro de outros governos com outra ideologia e agora quer voltar no momento que o Brasil deu recado que quer mudança, esperança.

 

Se eu fosse senador não votaria nele de forma alguma. Voltando para Câmara, o Rodrigo Maia também representa a continuidade, mas com apoio do governo. Essa questão da nova política é complicada, o discurso às vezes é um e a prática é outra.

Bolsonaro promete ser o presidente das reformas. O senhor já se declarou favorável a mudanças na Previdência. Mas qual reforma terá seu apoio? Acredita que o governo conseguirá cortar os privilégios que pesam nos cofres públicos? Os militares também devem ser atingidos com as alterações?

Eu vejo que existem duas reformas super importantes para o ambiente econômico e desenvolvimento do país. A reforma da previdência está na frente na fila. Tínhamos uma proposta de reforma do ex-presidente Michel Temer, mas agora a matéria deve ser alterada. Eu sou favorável à reforma da previdência por dois fatores.

 

Primeiro, o comprometimento da arrecadação do país com pagamento de salário, aposentadoria e pensões. Esse ano, 93% de tudo que o governo arrecada vai para essa finalidade, custeio da máquina, pensões, aposentadoria e salários de servidores públicos. Mas no último ano do governo Bolsonaro, esse percentual vai para 98,5%.

 

O próximo presidente, depois dele, já não vai conseguir pagar a folha. E não é esse Brasil que a gente quer. Depois, é preciso ter consciência que só haverá investimento privado e internacional no Brasil se a gente mostrar segurança, responsabilidade.

 

Eu confio na equipe econômica do Bolsonaro, mas digo: o Brasil é um só. A reforma tem que envolver todos. Se um pedreiro, uma cozinheira, tem que trabalhar até 65, 67, 62 anos, os militares e servidores da área pública também. Nós vamos cobrar.

A agenda de privatizações também está aberta. Por onde acredita que seria possível começar?

Eu estou lendo muito sobre esse tema. O governo federal tem centenas de empresas públicas. Há um compromisso do governo de não privatizar os três grandes bancos, BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica e também a Petrobras.

 

O que já vem do governo Temer é a venda da Eletrobras, da Infraero e de outras empresas que são até rentáveis, mas a maioria absoluta das empresas públicas eu acredito que não irão atrair o investidor.

 

Então, além das privatizações, é preciso diminuir a máquina pública, fechar algumas empresas, transformar em autarquias. E o controle já é feito pelas agências reguladoras.

O senhor vem trabalhando há mais de uma década pela duplicação da BR-280, tanto do trecho urbano quanto do percurso federal. Por que é tão difícil tirar essas obras do papel? Acredita que agora teremos esses pleitos atendidos?

Primeiro, para contextualizar, essa é grande bandeira, a bandeira majoritária do nosso mandato. Essa obra é imprescindível para o Vale do Itapocu, para o Norte, para o Planalto Norte e para o desenvolvimento do Estado.

 

Estudos comprovam que os municípios que estão nas margens da BR-101 duplicada cresceram até 400% a mais do que as regiões que têm difícil acesso, como é o nosso caso. Essa obra precisa acontecer, ou ficaremos estagnados. É uma obra que custa em torno de R$ 1 bilhão, muito dinheiro, mas para o governo federal, é totalmente possível.

 

O presidente Bolsonaro fez uma média de 80% dos votos na região, então a gente imagina que teremos esse respaldo. A minha atuação será de apoio ao governo, sem cargos, sem política fisiológica, mas esperamos que as reformas e obras como a 280 aconteçam.

 

Essa é a dívida do governo com Santa Catarina. Vamos já no início do mandato reabrir a Frente Permanente pela 280, pedindo apoio para todos deputados e senadores catarinenses.

A classe política vem sendo cobrada por uma mudança de postura e para cortar privilégios. O senhor ainda não assumiu, mas já tem alguma ideia se é possível cortar alguma coisa? Enxerga algum excesso?

O deputado federal precisa de uma estrutura para realizar seu trabalho. Tem que manter um gabinete funcionando em Brasília com pessoas competentes, tem que manter uma representação regional.

 

Eu vou fazer o possível para ter a menor despesa fixa, sei que existem custeios de locomoção e de mandato exagerados. Eu ainda não assumi, não conheço detalhadamente a estrutura, mas me comprometo em ser transparente.

Como avaliou a participação do presidente Bolsonaro em Davos? A arrancada tem sido positiva?

O governo na área econômica caminha de uma forma correta, de discurso, e que agora tem que mostrar de forma prática, que são as reformas, construir politicamente e explicar todas as ideias para a sociedade brasileira.

 

Creio que o governo precisa melhorar a articulação, ainda tem muito erro de principiante, nomeia, desliga, um fala uma coisa, outro fala outra. Mas vamos lembrar que são apenas 25 dias, é preciso dar tempo.

 

Quanto à participação do presidente em Davos, é importante. É o investimento estrangeiro que vai fazer o Brasil crescer e a presença do Bolsonaro em um ambiente desse é muito importante. Eu espero que os compromissos sejam cumpridos.

 

Quando a gente fala na economia crescer a gente fala na geração de emprego, na melhora do serviço público.

 

A retomada do desenvolvimento é a grande pauta nacional. Nada é mais importante do que ajudar a mudar a realidade dos 20 milhões de pessoas sem emprego.

 

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