Amanhã vamos às urnas escolher, por meio do voto, nossos representantes. O voto, ou sufrágio universal, em nosso país, é uma herança ibérica, entre tantas, que ao longo dos tempos, tem legitimado os sistemas de governo.

A primeira constituição outorgada por D. Pedro I, em 1824, já estabelecia o sistema de escolhas de representantes por meio do voto, embora, o poder aristocrático moderador o restringisse aos homens comprovadamente ricos.

Não há dúvidas de que a história tenha registrado evolução do processo que, por ora, não é perfeito, mas é o mais adequado para nossa realidade. Entretanto, o que ainda não sabemos muito bem, é nos valer deste instrumento para transformarmos essa realidade.

Ao exercer o direito do voto, cada eleitor o faz imbuído das motivações e razões mais diversas. Há os que votam no partido; os que votam na pessoa; os que votam na pesquisa ou na onda; os que votam no discurso; os que votam no projeto; os que votam na promessa; os que votam no melhor; os que votam no menos pior; os que vendem o voto, os que são coagidos a votar, os que votam com critério e os sem critério; e há os que votam branco ou nulo por falta de opção ou protesto.

Embora a democracia acolha a todos, é dessa diversidade de razões, que devemos filtrar elementos como: coerência, utilidade, acessibilidade e prioridade no exercício do voto. Significa dizer que se o momento brasileiro clama por reformas, essa mudança deverá iniciar pelo eleitor, na sua casa, na sua rua, no seu bairro, na sua cidade, no seu estado e, por fim, no país.

Ocorre que esta ordem tem sido invertida, possivelmente por conta do clima conturbado e polarizado que caracteriza essas eleições. Nos deparamos então, com o seguinte paradoxo: o eleitor prioriza o voto em Brasília, cujo representante, uma vez no poder, encontrar-se-á blindado no distante e inacessível Palácio do Planalto. Este voto, embora importante, será praticamente impossível de ser cobrado.

Mesmo que sejamos um povo pouco politizado, que tenhamos, ao menos, o discernimento de invertermos essa lógica de prioridade. Foquemos nosso voto, em primeira instância, nos representantes de nossa cidade, que a meu ver, são excelentes nomes. É por meio destes que elevaremos o padrão estrutural e social de nosso município. Estes, efetivamente, nos serão acessíveis para posterior cobrança do voto de confiança. Seguindo a ordem, agora na dimensão de estado, que a lógica de orientação possa recair ao representante que mais próximo e conectado estaria com nossa cidade.

Enfim, cuidemos de nossa casa, já que do Congresso os inoperantes populistas cuidarão. Priorize o voto em quem está próximo de você. Viva Jaraguá; viva Santa Catarina; viva o Brasil; viva a Democracia. Feliz voto.