O mundo em ebulição nada mais é do que uma necessidade cada vez mais premente de se buscar um novo modo de viver, de se relacionar com as pessoas e com a natureza. Embora forças contrárias obscurantistas e isolacionistas ainda recorram a muros, estes já não param de pé por muito tempo. Pensando a médio e longo prazos, a continuidade da espécie humana, em termos pacíficos e sustentáveis, dependerá, determinantemente, da capacidade de reversão de dois grandes problemas globais: a degradação ecológica e a desigualdade social.

Antecipo aos interessados nesta reflexão, que façam esta leitura desprovidos de ‘paixonites político ideológicas’, pois trata-se de um tema que transcende polaridades. É uma questão de futuro da sobrevivência, doa a quem doer. Particularmente, não consigo alimentar a esperança de que a reversão dessas duas grandes mazelas globais, possa se dar, conscientemente, pela via política. Acontecerá sim, e já se desencadeou o processo, mas pelas vias da educação, responsabilidade social das empresas, mobilização e pressão popular.

Sustento que uma das forças propulsoras capaz disso, está no poder do voluntariado, que tem hoje (5/12) seu dia instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) e celebrado internacionalmente desde 1985. A “agenda 2030” da ONU exige um mundo justo, equitativo, tolerante, aberto e socialmente inclusivo, no qual as necessidades dos mais vulneráveis sejam atendidas. Sinceramente, não consigo imaginar outro mecanismo poderoso, capaz de atuar de modo a diminuir a extrema pobreza e a fome, garantir o ensino básico para todos, promover a igualdade entre os sexos, reduzir a mortalidade infantil, garantir a sustentabilidade ambiental, entre outros desafios, que não seja o voluntariado.

E o motivo é simples: a política se move por interesses, e o voluntariado por ideal, paixão e compaixão. Os políticos se orientam pelo poder, os voluntários, pelo espírito cívico, solidário e colaborativo, com vistas a um mundo melhor. Por essa perspectiva, um voluntário deveria ser mais que cidadão, deveria ser “mundadão”. De acordo com a ONU, há cerca de 1 bilhão de voluntários no mundo. Nos faltam 6,8 bilhões para que tenhamos um mundo essencialmente humano. Vida longa a todos os voluntários!