Na última quarta-feira (5) celebrou-se o dia internacional do voluntariado. Eis um tema do qual não me canso de abordar e, sobretudo, de praticar. Ao longo do curso da história, o homem desenvolveu muitos modelos de sociedade.

É natural que tenha sido assim, pois, por essência somos gregários. Isso nos leva ao intrigante questionamento muito recorrente nas esferas antropológica e sociológica: moldamos a sociedade ou a sociedade nos molda?

A priori, qualquer resposta de cunho dualista não se sustenta. Não há possibilidade de dicotomia entre homem e sociedade, pois, de forma interdependente, estes se constroem, se complementam e se desenvolvem mutuamente.

O que pode variar, dentro dessa condição, enquanto produto dessa dialética relação, são as formas diferenciadas das sociedades se organizarem. No entanto, o padrão de cada uma sempre será proporcional ao grau de influência de fatores característicos como: cultura, valores, modelos estruturais políticos, econômicos e sociais.

Reportando-se a nossa realidade local, o que nos faz diferenciados, é o padrão elevado de sociedade organizada, colaborativa e solidária que aqui se configura. Status assegurado pela intensidade evidente de mobilização desse conjunto de fatores, orquestrado por entidades de classe, empresariado e cidadãos.

Há aqui uma consciência mais acurada de unidade social e senso de pertença. Parece estarmos mais sintonizados com a visão de Oscar Wilde de que “viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”. Aqui, de forma geral, não existimos por existir, mas nos inserimos.

Oportuno destacar que, de acordo com a Declaração Universal do Voluntariado, aprovada pela International Association for Volunteer Effort, em 1990, essa prática consiste em uma escolha e motivação pessoal, livremente assumida, como forma de estimular a cidadania e o envolvimento comunitário, visando a valorização do potencial humano, a qualidade de vida e a solidariedade.

Ressalta-se com isso que, a ação voluntária não intenta compensar carências do Estado embora, de certa forma, isso aconteça. Ela se orienta, antes de tudo, na perspectiva de uma sociedade atuante, mais justa, envolvida e responsável, relativamente desapegada do Estado, mas, que não se abdica em cobrar deste, as obrigações devidas.

Que possamos continuar vislumbrando e contribuindo para um modelo de sociedade futura menos “high tech” (insensível e cartesiana) e mais “high touch” (que toca o coração das pessoas). Enfim, na busca do sentido de nossa existência aqui na terra, não encontro outro propósito comum, senão o de ‘servir’. Isso me remete a uma conclusão: ser servido e não servir, é apenas existir.