Mais um ano letivo se inicia e o momento é oportuno para uma reflexão acerca da Educação. Sempre fomos um país de prioridades desordenadas, e com a Educação isso nunca foi diferente.

Alimentamos, doravante, a esperança de um novo olhar para Educação, desprovido de doutrinação, de qualquer que seja a extrema. Vislumbramos um modelo de educação em que o aluno possa ser protagonista de seu aprendizado. Minha reflexão parte da premissa de que o momento de polarização social que estamos vivendo, em nada contribuirá para uma educação sadia, formadora e emancipadora.

O discurso raso que escorre na vala aberta das redes sociais, de boa parte de extremistas, busca enquadrar o professor, de forma generalizada, como um “ser comunista que devora criancinhas”.  Essa visão retrógrada e reducionista de insensatos, só nos desvia do que chamo de ‘parceria ideal’.

Como se não bastasse o menosprezo ao professor, vivemos numa sociedade caracterizada pela pressa e imediato retorno.

O desenfreado desenvolvimento tecnológico, sem depreciar seu valor, não tem proporcionado, essencialmente, bem-estar social e, notadamente, mais ‘tempo’ para o desenvolvimento humano. Já sabemos que, quanto mais recursos tecnológicos dispomos, menos tempo temos.

Então, urge refletirmos sobre essa questão buscando, a priori, a compreensão de que a relação “pressa”, “tempo” e “modelo de Educação”, transcende essa visão cartesiano quantitativa que alimentamos.

Precisamos nos convencer de que respectiva relação só encontra fundamento e sentido, numa dimensão e ótica qualitativas.

Somente invertendo esse prisma teremos base para as seguintes indagações: que tempo estamos dando a nossos filhos? Que tempo estamos dando à escola de nossos filhos? Que valor estamos dando ao professor?

A Educação é um processo social onde pais, escolas, professores e alunos, encontram-se conectados e comprometidos com objetivos, valores e perspectivas convergentes, falando uma linguagem acessível e sensata, dividindo tarefas distintas, mas, comungando responsabilidades comuns, com vistas à formação e evolução. Nessa missão não cabe doutrinamento algum, de qualquer que seja o polo.

Portanto, antes de sonharmos com a escola ideal, devemos sonhar com a ‘parceria ideal’. E no mundo da Educação, ‘parceria ideal’ demanda “tempo” por parte dos envolvidos nesse processo. “Tempo” para planejamento, diálogo, acompanhamento, avaliação, participação, doação e reflexão.

É com o emprego desse “tempo” guiado pela sensatez, que educaremos nossos filhos para a vida, assegurando-os a base para a felicidade. Enquanto dominados pela “pressa”, estaremos educando-os tão somente para a concorrência, quando não para a alienação.