O episódio da semana, com ampla repercussão na mídia nacional, ficou por conta da cena lastimável protagonizada pela torcida do Santos Futebol Clube, na derrota por 2 a 0 na Vila Belmiro, pelo rival Palmeiras, no último domingo (7). Obviamente que aquela corja de torcedores que hostilizou e traumatizou o pequeno santista Bruno Nascimento, de 9 anos, não representa o clube, tampouco seus fiéis e civilizados torcedores. A rápida intervenção dos seguranças, impediu que Bruno e seu pai Moisés, fossem estraçalhados pelas sanguinárias hienas.

Bruno foi insanamente sentenciado por ter, legítima e inocentemente, pedido a camisa do goleiro adversário, Jailson, a quem admira, e ter sido atendido. Bem, antes de me reportar ao comportamento da matilha de hienas santistas, que se multiplicaram nas redes sociais, ameaçando o garoto de morte, quero evidenciar duas características desses animais: i) eles, covardemente, atacam em bando; ii) riem enquanto comem M...

O lamentável episódio motiva algumas reflexões sobre o perverso perfil das torcidas do futebol brasileiro, notadamente, as ditas torcidas organizadas, que se tornaram uma instituição nesse país. Elas assumiram sinônimos de guerra, facção, vandalismo e violência. Eu desafio alguém me apontar alguma torcida organizada, seja de qual for o time ou tamanho, que nunca tenha se envolvido em conflitos. Reconheço que é complexo identificar, com clareza, as origens desses comportamentos extremistas.

Arrisco correlacionar a um fenômeno histórico entendido por Freud como: “psicologia de massas,” que a meu ver, se personifica no “efeito manada”. Significa que o indivíduo, em estado grupal, assume comportamentos que não são naturais estando ele só. Ou seja, em grupo ele emburrece. Explicou Freud que o indivíduo, sobretudo o de mente obtusa, estando agrupado, revela-se “um ser provisório, formado por elementos heterogêneos que por um momento se combinam, exatamente como as células que constituem um corpo vivo, formam, por sua reunião, um novo ser que apresenta características muito diferentes daquelas obtidas por cada célula isoladamente”.

Vocês, fanáticos mentecaptos, voltem pra caverna e engulam a pura e humana resposta do pequeno Bruno: "eu não fiz nada de errado, eu só pedi a camisa para o meu ídolo."