Por ora, o destaque da grande mídia e consequente foco do povo tem ficado por conta da Copa do Mundo e, notadamente, do desempenho da seleção brasileira sob a direção de Tite. Preliminarmente confesso que, como crítico de futebol, me saio melhor com uma bola no pé, numa pelada casual. Mas isso em nada me retraiu vestir a camisa verde e amarela e entrar em campo a cada jogo, com o coração na ponta da chuteira.

Reconheço, sobretudo, como peladeiro e autêntico torcedor canarinho, que os resultados positivos dentro de campo não resolveriam, obviamente, os problemas brasileiros fora de campo. Todavia, pela perspectiva inversa, tornar os problemas brasileiros fora de campo, justificativa para desejar o fracasso dentro de campo, é assumir uma atitude obtusa. Ou, nas palavras de um grande amigo meu, “é um subterfúgio para obter uma alegria falsa”.

Esses são conhecidos, popularmente, como os que torcem para o jacaré. Portanto, não vejo eco nas retóricas dos dissimulados moralistas de plantão que insistem no enfadonho mimimi: “enquanto há Copa, carnaval e praia, o povo esquece os problemas”. Sustento justamente a visão oposta: “enquanto há problemas, há também Copa, carnaval e praia, pois nesses espaços há vida e aprendizado”.

Verdade seja dita, é nessa dualidade que conhecemos os verdadeiros líderes, espécie rara nas organizações e na sociedade. E uma das características fundamentais desses líderes conectores, é ver o mundo de forma exponencial, sempre pela perspectiva do ‘copo meio cheio’. A propósito, vale aqui uma dica: mantenha distância dos disseminadores de desesperança, que veem o mundo pela perspectiva do ‘copo meio vazio’. Eles nasceram para habitar e não para mudar o mundo.

Tenho estudado e observado o trabalho do Tite na seleção brasileira, sob o ponto de vista da liderança. Independentemente da seleção ter voltado para casa, cheguei a três constatações: i) a despeito de possuirmos o maior número de títulos do mundo, todas as edições anteriores foram comandadas por técnicos; ii) esse não foi o melhor time da história mas, pela primeira vez, tivemos na direção, um líder ao invés de técnico, que buscou maximizar performance pós trauma do 7 a 1; iii) Está evidente que Tite conseguiu um ‘turnaround’ (virada de jogo) até onde chegou. Ele sabe que a informação que precisa está no futuro.

Não tenho dúvidas que, enquanto os céticos se rejubilam com o resultado negativo, os atentos visionários extraíram de cada jogo uma aula de liderança para aplicar em seus negócios e em suas vidas. Bola pra frente!