No último café com bobagens versamos sobre ruptura. Mas não aquela ruptura da túnica albugínea, nem do tendão de Aquiles. Também não se referiu a ruptura da bolsa amniótica, tampouco da bolsa de valores, que se mostra em queda. Discutimos, desprovidos de paixonites ideológicas, sobre ruptura da Nação. O consenso foi de que caminhamos gradativamente para uma ruptura político institucional. Acompanharemos atentamente o que sinalizarão os barômetros da pressão #setedesetembro.

Entre bebericadas de café, argumentávamos que esse iminente levante caminha no formato de capítulos de novela. Observe que semanalmente há um novo capítulo assumindo o protagonismo desse fervente enredo. Eu ressaltava que, por sermos uma Nação noveleira, é estrategicamente proposital que a trama do planalto central se dê em capítulos, pois o telespectador sempre espera ansioso pelo próximo. Na semana passada, o voto auditável impresso roubou a cena. Esta semana, o protagonismo ficou entre o ‘menino da porteira’ e o ‘cabeça lustrada’ do Olimpo.

Especulamos qual poderia ser o capítulo da semana que vem. Mesmo pressentindo que a ruptura se aproxima, não tivemos a mínima ideia de qual pudesse ser a próxima cena. Mas compactuamos algumas visões: i) sistemicamente, toda tensão gera uma ruptura, só não se sabe a intensidade; ii) quando as forças das extremas somadas, suplantam a força moderada, a ruptura é inevitável, então corra para o aeroporto mais próximo; iii) toda polarização gera perda da noção do que venha a ser poder e autoridade. Ficamos nesse último tema.

O poder sempre exerceu forte fascínio sobre o ser humano, então partimos do consenso de que ter poder não é o mesmo que ter autoridade. Nos apropriamos do alemão Max Weber pra dizer que “poder é a imposição da vontade de uma pessoa ou instituição sobre os indivíduos. Essa imposição é direta e deliberada.” Veja o ‘talibãnismo’. Já, autoridade é “a habilidade de uma pessoa levar outras a fazerem, de boa vontade, o que quer que seja, por causa de sua influência pessoal."

Chegamos à conclusão de que para exercer qualquer poder, não é necessário ter coragem nem inteligência avantajada. Até porque, a necessidade da força e da violência já evidencia a impotência. Ao passo que autoridade pressupõe inteligência, sensibilidade, sabedoria e serenidade. Hitler tinha poder, Gandhi tinha autoridade. Nos dois casos a autoridade suplantou o poder.