A violência doméstica é uma das principais mazelas de nossa sociedade. Se os índices já representavam sinal amarelo antes da pandemia, agora o sinal se tornou vermelho. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil possui a quinta maior taxa de feminicídio do mundo. Um lastimável e vergonhoso indicador que nos obriga reconhecer que o Brasil não cuida de suas mulheres. Pesquisas dão conta de que a cada dia, em nosso país, três mulheres são assassinadas, vítimas de feminicídio. A cada 2 segundos uma mulher sofre agressão física.

Como se não bastasse, na maioria das vezes, a violência não se encerra no ato da agressão ou do assassinato. Ela se mantém em curso pela impunidade e pela limitação do Estado em garantir proteção e justiça. Entretanto, esforços pontuais, por parte do poder público, têm sido verificados. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou neste ano, no início de junho, a campanha “Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica”, que conta com o apoio do Conselho Nacional de Comandantes-gerais das Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares (CNCG).

A campanha é abraçada pela Polícia Militar de Santa Catarina, e aqui em nossa cidade, pelo programa “Rede Catarina de Proteção à Mulher”, da Polícia Militar, em consonância com o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas). Mas é determinante que a mulher também a abrace. A campanha instiga a atitude de denunciar, se valendo de um símbolo convencionado, quando buscam uma farmácia, desenhando um “X” na palma da mão e exibindo-o a algum farmacêutico ou atendente, que seguirão um protocolo para acolher a vítima e acionar a Polícia Militar.

Embora sejam avanços, perguntas permanecem sem respostas: Como extirpar ou atenuar esse mal social? Como conscientizar as pessoas para uma ampla reflexão voltada a construção de uma sociedade tolerante e solidária? Como desconstruir a retrógrada ideia de que mulher deve ser submissa ao homem? A violência de gênero como um fenômeno arraigado na nossa cultura patriarcal e machista, ainda se mostra muito evidente. O respeito à dignidade das pessoas, independentemente de classe, etnia, sexo, credo, gênero ou orientação sexual, ainda se mostra um ideal distante.