O destaque da grande mídia dessa semana ficou por conta da relação dos convocados da seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo na Rússia, com início em 14 de junho. Orgulhosamente, nossa cidade torcerá em dobro, pois temos o jaraguaense Filipe Luís no elenco de Tite. De antemão posso assegurar que, se ‘gato escaldado tem medo de água fria’, a seleção que o torcedor brasileiro esperava, seria composta pelos deuses do olimpo.

Confesso que, como crítico de futebol, sou mais amador do que com uma bola no pé, numa pelada. Reconheço também que, como torcedor comum, “vestir a camisa” de um time tem para mim um reticente conceito, e isso, por três motivos fundamentais: primeiro, por uma questão de custo, já que torço por vários times: São Paulo, Vasco, Criciúma, Juventus (Moleque Travesso), Barcelona e, nutrindo também, uma ascendente simpatia pelo Cruzeiro de MG. Estou em dúvidas quanto ao futebol gaú- cho e nordestino. Segundo, porque embora contrariando o código do fanático torcedor, eu jamais vestiria uma camisa de time para trabalhar, ir a um culto, ou restaurante, como já testemunhei. E terceiro, porque certamente eu expressaria aquele sorriso amarelo, caso recebesse uma dessas camisas como presente de aniversá- rio, e ainda com aqueles autógrafos das estrelas. Então, esse meu perfil, seguramente não me credencia a tecer qualquer crítica ou julgamento técnico sobre os escolhidos de Tite.

Antes, prefiro a lucidez e coerência de sua mensagem já na primeira entrevista concedida após divulgação dos selecionados: “controle do resultado não se tem, mas controle do trabalho, da qualidade e da excelência, isso se tem, e irei buscar”.

Portanto, em que pese o trauma do 7 a 1; independente da composi- ção do elenco; não obstante o ceticismo dos nacionalistas, com o trivial pretexto de “recursos para o futebol em detrimento da saúde”; apesar da corrupção também presente na cartolagem do esporte em geral; a despeito das enfadonhas retóricas esquerdistas ou direitistas de “país do futebol e Carnaval”, essa camisa verde e amarela eu vestirei sem restrições e com muito orgulho. Enquanto o Brasil estiver em campo, eu também lá estarei com o coração na ponta da chuteira, disputando cada lance, atacando, defendendo e suando a camisa. Nesse momento, ignorarei o entediante mimimi do “pão e circo” dos dissimulados moralistas de plantão.

Óbvio que patriotismo vai muito além de torcer para uma seleção. Penso ser uma relação análoga à que tínhamos com mamãe quando pequenos, isto é, mesmo que apanhássemos, não a deixávamos de amar. Não se renega a Pátria por conta de maus brasileiros. O senso de pertença é o que nos faz patriotas. Nesse sentido, o legado de John F. Kennedy nos serve muito bem: “não pergunte o que o seu país pode fazer por você, mas sim o que você pode fazer pelo seu país”. Torcer é um bom começo.