Uma inconsequente matéria intitulada “Festa mistura carabina e cerveja, com miss armada e criança atirando”, publicada ontem (27) no portal Uol TAB, assinada por Daniel Lisboa, jornalista de São Paulo, causou indignação em quem é Jaraguaense e do Vale do Itapocú.
De antemão, precisamos compreender a grande diferença que há entre ‘os que são de uma cidade’ e ‘os que moram numa cidade, ou que estão de passagem’. Entendida como sistema social e organismo vivo, a cidade é uma construção coletiva, em essência, um pouco de cada um de seus habitantes. Esse ‘um pouco de cada um’ é o que vai moldando sua identidade, caráter, cultura e valores.

O autor provou, textualmente, que não é da cidade. Ele é, tão somente, um forasteiro desarticulado com nossa realidade local, que sequer sabe a que região nos inserimos. Ademais, desconhece nossos indicadores econômicos, sociais e culturais de referência nacional. É possível até, que em sua passagem por aqui, tenha tido uma ideia de nosso tamanho físico, mas longe de ter percebido nossa grandeza.

Seu leviano julgamento acerca de um de nossos símbolos culturais, ofuscou seu olhar para nosso senso de pertença, cidadania, coletividade e orgulho. Aqui, embora sempre tenhamos que melhorar, nutrimos atitudes contributivas como: plantar uma árvore, não sujar as ruas e praças, não poluir, reciclar o lixo, cuidar das próprias calçadas, dos canteiros públicos, denunciar o vandalismo, respeitar a faixa de pedestres, doar parte do tempo a um voluntariado, contribuir com a polícia, fiscalizar e cobrar o setor público. Atitudes estas, pouco prováveis no lugar de onde vem.

Pouco se deu conta, o míope forasteiro, de que seus tiros, tanto de chumbinho quanto de palavras, passaram longe do alvo. Todos que conhecem a natureza e sentido da nossa Schützenfest, que nessa 31ª edição ultrapassou 100 mil pessoas, são impactados por um ambiente de entretenimento, familiar, seguro, organizado, limpo, com o concorrido tiro ao alvo, gastronomia, bebida, música, dança, desfiles e, obviamente, com as majestades ‘armadas’ sim, mas, de beleza e simpatia. Famílias tipicamente trajadas dão a originalidade estética daquilo que entendemos como uma autêntica manifestação cultural festiva.

Portanto, caro forasteiro, não tente em sua casa, a mistura por você observada, “carabina e cerveja, com miss armada e criança atirando”, e que lhe deixou espantado. Aqui essa mistura é pacífica e agregadora porque somos uma comunidade de alto padrão educacional e uma das mais seguras do Brasil.