Já se avista a reta final de 2020, em meio à reinante instabilidade social, política e econômica. No melhor cenário, isto é, se a máscara virar obrigação universal, o mundo chegará, em 31 de dezembro deste ano, com 2 milhões de mortes pelo coronavírus. Em meio a este quadro sombrio, acende-se um pontual estopim da campanha presidencial na nação das nações. A primeira detonação, estremecendo o mercado mundial, se deu na terça-feira (29), com o fuleiro debate entre os septuagenários e birrentos Trump e Biden.

De acordo com a crítica internacional, o vencedor do embate foi o porquinho que menos se sujou. Adiciona-se à esta sopa caótica, a inconsistência geopolítica dos poderes, e veremos que no borbulhar da fervura, vão aparecendo a depreciação da democracia liberal, as teocracias fundamentalistas, o capitalismo ‘neoplanificado’ da China e Rússia, os neofascismos do Leste Europeu, as erupções ditatoriais na América Latina, entre outros ingredientes. Acrescenta-se, por fim, consistentes porções de degradação ambiental e desigualdade social, e temos pronta a insípida sopa global.

O que se degusta, então, é uma velha ordem que já não existe, e uma nova que ainda não conhecemos. Espero que o efeito dessa indigesta sopa gere uma incontinente turbulência disentérica. A imensurável “distância” de realidades entre governantes e governados, alimenta uma silenciosa ‘ciberguerra’ por uma nova instituição política. Vale considerar que as grandes transformações implementadas no mundo, têm sido motivadas pela inquietude dos governados.

‘Marchas sociais’ como direitos humano, consciência ecológica e movimento feminista, são só alguns exemplos. Enquanto isso, no campo político-institucional, não se processam transformações visando o bem estar social. O modelo maquiavélico continua o mesmo trilhado a séculos: meios como opressão, alienação, exploração, ilusão e corrupção, são justificáveis para deleite e perpetuação do poder. Torço para que esta relação historicamente sustentada no ‘pão e circo’, avance para uma breve ruptura.