Por conta do clima encolerizado pré-eleitoral, os dias 15 e 18 de outubro passaram quase despercebidos. Comemorou-se o dia do professor e do médico, respectivamente.

Sem a intenção de hierarquizar a importância dessas duas competências, e já expressando congratulações, respeito e admiração a todos profissionais da medicina, me volto, notadamente, aos malucos sonhadores professores que, na ordem natural das formações e transformações humanas, assume o ponto de partida. Definir professor é tão ou mais desafiador quanto ser.

É fácil definir o “professor por conveniência”. Mas tente definir o “Professor por vocação”. A insensatez comum não percebe essa dantesca diferença. Como se não bastasse, essa míope visão de alteridade produz, comumente, indagações patéticas do tipo: “você não trabalha? só dá aula?” Ou ainda: “dá pra sobreviver?” E a aposentadoria compensa?

Particularmente, embora tenha exercido a docência de forma regular por 15 anos, e ainda a faça pontualmente, não me vejo um “professor por vocação”, como também não me vejo um “professor por conveniência”.

No máximo, quem sabe, um curioso e motivado pela transformação, mas que não vê a docência como profissão, mas, como ‘missão’. No entanto, a experiência me proporcionou a sensibilidade e capacidade de perceber o que move, em essência, um “Professor por vocação” num país onde a missão mais importante é uma das menos reconhecidas.

Esse paradoxo sempre me causou certo desalento, e justifico porque: dificilmente alguém desconsideraria a importância da Educação e do bom Professor. No entanto, seja sincero, você recomendaria essa carreira a seu filho(a)? Com raríssimas exceções, ‘não’. Assim, estamos permitindo que esses malucos sonhadores continuem sendo desvalorizados.

Procurei ler todos os planos de governo dos candidatos à presidência da República e, de forma muito atenta, os que ‘sobraram’ para o segundo turno. Todos contemplam em seus conteúdos a Educação, mas, nenhum como item nº 1. Aquele com maior consistência até promete reformas, mas nenhum propõe revolução. Não há como transformar uma Nação sem que tudo passe pelo principal ‘duto’ chamado Educação.

A revolução que não consta em plano algum, poderia iniciar pela reversão de alguns conceitos. Eis uma pequena amostra: foi-se a época de escola em que os pais cobravam nota dos filhos. Hoje cobra-se nota dos professores. Se a função do professor, era professar conhecimento, agora passou a ser mediar conflito. Se ontem lhe cabia a autoridade natural, hoje lhe é imposta a obediência mercantilista. Se antes o professor reprovava por indisciplina ou falta de rendimento, atualmente significa não atender o cliente. Educação tem que deixar de ser despesa orçamentária, e ser tratada como investimento estratégico.