"PAI: uma missão transformadora muito além de representação!"
"PAI: uma missão transformadora muito além de representação!"

Até aquele inesquecível outono de 9 de abril de 1995, imaginava que ser pai era assumir um papel representativo. No projeto ‘improjetável’ de gravidez, eu ensaiava mentalmente incorporar aquele personagem estereotipado de pai. Pensei até cultivar aquele bigode encorpado, e trocar o carro hatch popular compacto, por um modelo sedan. Mentalizei também, que aquela minha vestimenta informal, da camiseta, calça jeans e tênis, se transmutaria em um manequim formal.

Finalmente se comprovou a gravidez. Pensei então que seria concretizado, finalmente, aquele ‘inconcretizável’ estereótipo de pai. Nove meses intensamente esperançosos se passaram, até o dia em que me vi isolado e ansioso, em um quarto da ala da maternidade, cuja janela aberta dava para um pomar. Eu contemplava um exclusivo raiar do dia. Subitamente, um passarinho pousou, por alguns segundos, na soleira da janela. Viera anunciar a boa nova, pois naquele exato momento o obstetra batia à porta e me dizia: você é pai. Quer segurar sua filha? Respondi: pra sempre, doutor.

Senti o quão realizador e transformador é segurar o que nos complementa. Eu assumia naquele instante, a sublime, desafiadora e intransferível missão de ser pai sem ‘manual de instrução’. Me dei conta de que essa missão nos é apresentada diariamente como provedor de amor incondicional. Já se passaram 25 anos, nunca deixei o bigode crescer, não mudei o modelo de carro, tampouco o manequim. Continuo apreciando o bom e velho Rock n’ Roll e a filha me sugerindo uma tatuagem aos 60.

Descobri que ser pai não é incorporar um personagem. Não é representar uma determinada classe ou condição. Não é ter um padrão estético formatado. Também não é ser o chefe ou o cabeça da família. Aprendi que ser pai é caminhar junto de qualquer jeito, esbanjando amor, vivendo entre dúvida e certeza. A dúvida da dosagem correta, e a certeza plena de que daria a minha vida pela filha