Desde o antigo império romano até os dias de hoje, o gladiador sempre se fez personificado em nosso meio social. A única mutação sofrida ao longo do tempo foram seus instrumentos de combate, já que o instinto permaneceu intocável. Se o clássico gladiador se utilizava do tridente e da rede para desferir golpes ao seu oponente, o contemporâneo, não menos brutal, se utiliza de um mobile e da rede web. Se os clássicos se utilizavam do escudo como proteção, os atuais se utilizam da tela de seus modernos equipamentos.

Os novos gladiadores das redes, capitalizam o cinismo generalizado que o povo nutre na arena política, transformando-os em ‘torcedores’ inflamados graças a retórica populista dos novos imperadores. Esses gladiadores também são vítimas inconscientes do sistema, e carregam traumas herdados pelo ‘discurso da inferioridade latino-americana’, somados à estéril colonização ibérica, que moldaram esse povo refém do marketing apelativo.

Prova disso, é a nova postura dos ‘torcedores’ que até ontem renegavam veementemente política e políticos, e hoje defendem seus candidatos com sangue nos olhos. A mensagem subliminar que vem sendo transmitida à essa massa de ‘torcedores’ dos dois extremos é: intensifiquem o discurso do ódio, sempre exprimindo o sinal sem clemência do polegar romano.

Os mais avisados e moderados acerca da ciência política, sabem que a estratégia do discurso populista encontra eco em sociedades polarizadas e sub politizadas. E no Brasil, essa polarização se acentua a partir de 2014, por conta de fatores como corrupção, Operação Lava Jato, impeachment, crise econômica, o acirramento das Fake News e, mais recentemente, pelos que torcem para o Brasil dar certo e os que torcem para dar errado.

A transformação do contraditório em inimizade, vem gradativamente incutindo na sociedade a cultura da intolerância. As alas extremistas, dotadas de cérebro de gladiadores, se confrontando cotidianamente nas redes sociais, em longas ‘tripas’ cacográficas, protagonizam uma batalha mortal, sem vencedores, cujos golpes ferem a dialética, dilaceram o bom senso e assassinam a tolerância. E assim segue o mambembe teatro com coliseus lotados.