Em meu recente café com bobagens, um brother me perguntou se eu acompanhei a Olimpíada, e qual era a minha avaliação. Como um apreciador e amadoramente praticante de esportes, respondi que, apesar do fuso horário, eu acompanhei. Que eu tinha renunciado horas de sono, adentrando as madrugadas, para não perder aqueles momentos capitais que se perpetuam na história olímpica e na trajetória individual daqueles ‘semideuses’ que lá participam.

Mas, Nelson, você está se referindo aos atletas como semideuses? Heróis não seria mais adequado? Não brother, eu quis dizer semideuses mesmo. Heróis somos nós, eu, você, e os que acordam cedo para matar um leão por dia, alimentar, educar os filhos e ajudar (não sei se é seu caso) nas tarefas de casa. Eles são semideuses porque ultrapassam seus limites e ainda carregam uma nação nas costas. Por isso, eu os admiro. Desde os medalhistas até os últimos colocados, todos são, pra mim, iguais na glória por alcançarem o monte Olimpo.

Independentemente de medalha ou colocação, você não acha que conquistar uma marca olímpica é para semideuses? Ele bebericou o café, assentiu pensativo e disparou outra: Nelson, e se você tivesse que traduzir essa Olimpíada de Tóquio em uma única palavra, qual seria? Ou como você irá lembra-la? Essa ficará para mim, como a ‘Olimpíada da vida’, e justifico, disse eu. Essa Olimpíada foi uma prova de vida. Os olhos atentos puderam perceber que a vida venceu.

Venceu a maratona da pandemia; mostrou o poder da diversidade; ultrapassou os preconceitos; desqualificou a desigualdade de gênero; enterrou o histórico veto da participação feminina atribuído ao idealizador dos jogos olímpicos, Barão de Coubertin, sob a infeliz alegação de que elas seriam sempre “imitações imperfeitas.” Pois aí estão elas. Protagonizaram o momento. Por isso, meu brother, vejo uma Olimpíada muito além de um evento esportivo.

Ela representa, em sua essência, um meio viável de ascensão da humanidade. Meu particular desejo, é de que esse sublime momento possa ter instigado, em cada brasileiro, o “senso de olimpismo”, norteado pelos princípios da amizade, tolerância, respeito, solidariedade, igualdade, excelência, determinação, superação, coragem, inspiração e ‘fair play’.