Certamente os ‘intocáveis’ não sabem que uma das principais causas de morte por câncer, no sexo masculino, é o de próstata. Tá dado o primeiro toque. Serei mais incisivo no segundo toque: o exame preventivo pelo toque retal ainda é um tabu, cujo preconceito mata um homem a cada 38 minutos no Brasil. Tocar a próstata ainda é, para muitos, violar o lacre da masculinidade. Como se a privacidade fosse invadida pela porta dos fundos. Por isso, é preciso continuar tocando nesse ponto.

De acordo com pesquisas recentes, 50% dos homens brasileiros acima dos 45 anos, nunca se submeteram a esse procedimento. Muitos acreditam que o exame de sangue (PSA), pode substituir o do toque. Ignoram um detalhe importante: os dois exames funcionam de forma complementar. Significa dizer que, o câncer de próstata pode já ter se manifestado mesmo que o PSA tenha apresentado níveis normais. Por isso, somente a expertise, aliada a delicadeza, do médico especialista, é que garantirão a efetiva detecção, avaliação e prevenção.

Outra pesquisa recente da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstra que, conduta orientada na cultura patriarcal machista, está associada à morte precoce. Por essa ótica, ouso afirmar de forma rimada que: “quanto mais blindado for o canal, mais perto da cova estará o bagual.” Declaro que a conotação aqui atribuída para ‘bagual’, não pretende depreciar o animal. Trata-se, figurativamente, do sujeito desinformado que não dá valor à vida. Para esse indivíduo, o toque retal ‘esculhambaria’ a imagem do masculino associada ao penetrador (ativo), já que ele passaria a ser o penetrado (passivo).

Embora se trate de um procedimento clínico, com o único propósito de preservação da vida, na cabeça do bagual isto é uma violação do modelo vigente do ‘ser macho’. A ‘bagualada’ que resiste bravamente ao toque, sabe que não há dor física. O que esses sentem, é a insuportável e frívola dor simbólica. É esta dor que faz, com efeito, arriar o bagual. Então, a esses, a mensagem do Novembro Azul é: deixem de ‘bagualice’ e sejam homens de fato. E como último toque, fica a reflexão: o que vale mais, um homem vivo ou um bagual morto?