A polêmica da semana ficou por conta do filme de Danilo Gentilli, “Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola,” lançado em 2017. Uma das cenas, protagonizada por Fábio Porchat, que começa aos 17 minutos do longa, teve o efeito de uma bomba do Putin lançada no centro da cidade, num dia de pagamento. O impacto foi tão avassalador a ponto de motivar um armistício entre as duas ideologias antagônicas e hostis da Nação. Os dois lados miraram seus canhões para o mesmo alvo, a impudica película.

O Estado, feito ‘turma do deixa disso’ interveio e, para evitar a sumária censura, alterou a classificação etária do filme, passando de 14 para 18 anos. Alguns de meus leitores, dos dois lados extremos, diga-se de passagem, que acompanham minha coluna, me cobraram um posicionamento. Como não me identifico com posições ideológicas extremistas, procuro me informar muito diante de qualquer tema polêmico, antes de emitir, ou não, uma opinião. Sendo assim, me fundamentei em três fontes recursais:

i) assisti ao filme por inteiro; ii) li opiniões de críticos, educadores e especialistas das mais diversas áreas reportadas ao tema; e iii) consultei a opinião de uma jovem estudante de 16 anos, do Colégio São Luís, e de outro aluno de 17 anos da E.E.B. Julius Karsten, ambos inteligentes, estudiosos, curiosos e antenados para o mundo. Diante dessas fontes exploradas, me sinto relativamente seguro para formalizar uma opinião provisória acerca da respectiva polêmica.

Digo provisória, porque avesso a doutrinamentos que sou, quero preservar meu direito de amanhã, eventualmente, poder ‘desdizer’ o que estou dizendo agora, ou aprofundar a convicção. Todavia, sustento, de antemão, que liberdade de expressão não deve ser irrestrita. Há uma tênue fronteira limítrofe que é preciso ser identificada e respeitada, se é que defendemos democracia. Dito isso, penso ser prudente separar as coisas. A mensagem subliminar utilitarista do filme, precisa ser transmitida, ponto.

Logo, não vejo implícita no roteiro, apologia à pedofilia. O roteiro está dizendo que esse crime é uma realidade cotidiana dentro da escola, da igreja, dos hospitais, dos lares, e na rua. No entanto, a cena capital utilizada para isso é rasteira, asquerosa e emocionalmente agressiva, sobretudo, para crianças e adolescentes, pois é carregada de violência psicológica.

Foi o que também captei dos próprios alunos aqui citados. A aluna ouvida assim se manifestou: “isso realmente acontece, mas poderia ser mostrado de outra maneira. Estão subestimando minha inteligência, como se tivesse que desenhar.” Enfim, penso que banir o filme seria, de fato, censura, além de instigar a curiosidade por assisti-lo. Adequar, estética e pedagogicamente sua mensagem, seria a saída inteligente, diante do momento de ‘cancelamentos’ que vivemos.