Meu ponto de vista deste sábado é dirigido aos que ainda não se sentiram impactados, ao menos emocionalmente, por transformadoras forças darwinianas determinando as novas condições de sobrevivência.

É destinado a estes que, ainda não se deram conta, de que já está em pleno curso a seleção natural de adaptação à 4ª Revolução Industrial. Aos que já ouviram falar, mas desconhecem a essência do vocabulário corrente que passa a traduzir a nova ordem sistêmica.

Estes terão dificuldade de subsistir ao novo ambiente disruptivo, regido pela dinâmica da Inteligência Artificial, Big Data, Internet das Coisas (IoT), Robótica, Plataformas Digitais, Startup, Deep Learning, Redes Neurais, Algoritmos, Blockchain, e outros tantos recursos.

Por outro lado, a lógica da seleção natural nos diz que os mais adaptados, ou preparados, absorverão e se moldarão a esse novo paradigma ambiental.

Estes percebem que o processo evolutivo já não se dá linearmente, mas exponencialmente. Estão conscientes de que seus negócios e modelo de vida serão orquestrados por uma série de ondas irreversíveis e sem precedentes.

Classifico algumas destas ondas que, a meu ver, estão formatando esta nova ordem:

i) Virtualização – o consumado e irreversível canal do ‘como’ e do ‘tudo’;

ii) Desmaterialização – que remete a reutilização, reciclagem, sustentabilidade, redução do tamanho dos produtos, substituição de produtos por serviços, produtos multi-função, entre outros;

iii) Preservação – as fontes dos materiais e ética ambiental passam a determinar os níveis de vendas;

iv) Desmonetização – ‘cases’ como Skype, Netflix, Amazon, Uber, são apenas algumas ilustrações desta onda;

v) Personalização – demandas cada vez mais exclusivas passam a ditar o consumo;

vi) Impressão 3 D – novo método de reorganização e fabricação em todas as escalas produtivas;

vii) Democratização – negócios privados ou projetos sociais alicerçados em ditaduras ou privação de direitos sucumbirão;

viii) Tolerância e respeito às diferenças – o nível de exposição dos negócios e indivíduos também cresce exponencialmente. Portanto, o menor deslize de conduta terá um custo expressivo. O Neymar que o diga;

ix) Pensamento exponencial – fundamentado na premissa do pensar ‘bold’ (aguerrido, ousado, audaz, corajoso, inovador);

x) Neurociência – líderes e empreendedores que se privarem desse conhecimento, terão dificuldade de formar equipes de alto rendimento.

Sustento então, que esse admirável mundo novo, passa a ser regido pelo “ambientalmente equilibrado”, o “economicamente sustentável” e o “socialmente justo ou adequado”.

Por isso, não mais nos sustentaremos com a busca de respostas certas, precisamos agora de perguntas certas. Portanto, atrevo-me a sintetizar tudo em um único e grande desafio: aprender a desaprender.

Contexto disruptivo dos líderes empreendedores:

(ATENÇÃO: ISSO AFETARÁ SEU NEGÓCIO)

DIGITALIZAÇÃO/VIRTUALIZAÇÃO - (processo irreversível);

DESMATERIALIZAÇÃO - (reutilização/reciclagem/sustentabilidade.  3 variáveis: a) redução do tamanho dos produtos; b) produtos  multi-função; c) produto por serviço.

DESMONETIZAÇÃO - (ex: Amazon, Netflix, Skype...);

DEMOCRATIZAÇÃO - (qualquer sistema ditatorial é coisa do passado);

PERSONALIZAÇÃO - (o que cabe a mim/o que me atende particularmente);

3 D - Transição de Indústria para “Pandústria” (‘pan’ = tudo/todo) – a reorganização da fabricação que acontecerá em todas as escalas, através de uma rede bastante distribuída de produtores;

PRESERVAÇÃO - (fonte dos materiais/ética ambiental);

TOLERÂNCIA E RESPEITO ÀS DIFERENÇAS - (ou seu negócio será banido);

PENSAMENTO EXPONENCIAL - (de escala linear 1, 2, 3, 4, 5, 6; p/escala exponencial: 1, 2, 4, 8, 16, 32). Uma premissa é o “pensar bold”;

NEUROCIÊNCIA - (não precisa ser especialista, mas precisa conhecer).

Na opinião de Schwab, esta nova revolução, unindo mudanças socioeconômicas e demográficas, terá impactos nos modelos e formas de fazer negócios e no mercado de trabalho.

Afetará exponencialmente todos os setores da economia e todas as regiões do mundo. Mas não do mesmo modo.

Haverá ganhadores e perdedores. “As mudanças são tão profundas que, da perspectiva da história humana, nunca houve um tempo de maior promessa ou potencial perigo”.

Assumimos recentemente a condição de antropoceno, ou seja,  comandantes mor do planeta e agentes determinadores  de seus movimentos e destino, porém, já com adaptação duvidosa ao seu meio.

Agora, o caminho futuro nos impõe uma disciplina condicionante. Sem a pretensão de ser, na expressão usada pelo cineasta Fernando Meirelles, um “ecochato biodesagradável”, tampouco um profeta do prenúncio de uma nova era, penso que só seguiremos e nos adaptaremos se observarmos e respeitarmos três condições fundamentais: o “ambientalmente equilibrado”, o “economicamente sustentável” e o “socialmente justo ou adequado”.

Vejo que ainda possuímos uma importante limitação de adaptabilidade nessas três dimensões, notadamente no “socialmente justo ou adequado”.

A percepção é de termos chegado a uma fronteira decisiva, nos exigindo transformação e uma nova ética para continuarmos em frente. Então, antes de prosseguirmos tornam-se cabíveis algumas indagações: por onde e como começamos? Onde nos apoiaremos?

Na inteligência essencialmente humana ou na inteligência artificial das máquinas? Sinto que reside aqui a principal questão reflexiva. A inteligência artificial já não é tão artificial, já se apresenta quase humana.

Com isso, a delicada transformação que estamos vivenciando reside em nossa própria personalidade, o que é normal.

Entretanto, o que nos soa duvidoso, senão preocupante, dado a intensidade tecnológica e seu efeito social, é o fato de que as pessoas começam a se relacionar com personalidade automatizada.

O  aparente domínio e controle do homem já não garante o status subserviente da tecnologia em seu benefício.

Significa dizer que a objetividade lógico cartesiana começa de certa forma, a influenciar a sensibilidade, a emoção, a empatia, a energia, a espiritualidade, a percepção e demais sentimentos e sentidos inerentemente humanos.

Sob que força tendemos a nos impulsionar?  Em suma, o que nos parece mais provável? A materialização da inteligência humana ou a personificação da inteligência artificial? Indícios vem nos mostrando que o mais provável não se revelará necessariamente o mais prudente.

Se você tem dúvidas disso, sugiro um teste simples e revelador: convide seu filho(a) a um piquenique. Se ele(a) lhe perguntar se haverá Wi-Fi, não se desespere, significa que seguramente seguiremos coexistindo com essa dualidade aparentemente irredutível.

No entanto, se ele lhe surpreender perguntando se o piquenique não poderia ser virtual, então considere que definitivamente adentramos a era do “extinceno”.

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