Estamos na iminência de concretizar mais um marco histórico para a cultura de Jaraguá do Sul. Na próxima semana, entre os dias 14 e 19 de maio de 2018, Jaraguá irá respirar cinema. O enredo visionário de transformar Jaraguá do Sul em um polo de produção audiovisual multigênero, começará a ser, efetivamente, exibido. No roteiro, a missão de promover, incentivar e divulgar, de forma contínua, fora do eixo Rio-São Paulo, a formação e produção independente, ou não, da arte audiovisual para todos os públicos, por meio de workshops, oficinas, palestras, exibições e premiações.

No elenco, cineastas, produtores, distribuidores de conteúdo, roteiristas e amantes da sétima arte. Este projeto move um comitê gestor formado pelo produtor, escritor e roteirista Isaac Huna; a produtora cultural Mariana Pires; a promoter Claudia Caglioni Mahfud; o administrador e escritor Nelson Luiz Pereira, com assessoria voluntária de Dino de Lucca Moreira, importantes parceiros institucionais e, tendo como realizadora dessa primeira edição, a Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer da Prefeitura Municipal de Jaraguá do Sul.

Torna-se oportuno evidenciar que a gênese desse projeto é democrática e pluralista, orientada para o conceito ‘polo de produção’. Significa dizer que um rol de atividades como, produção, direção, edição, fotografia, figurino, maquiagem, roteiro, música, sonografia, cinematografia e outras, movimentarão continuamente esta ‘indústria’ ao longo de cada ano, reservando um momento pontual para exibição e premiação das melhores produções. Por isso, temos divulgado, apresentado e convidado escolas, universidades, entidades e organizações das mais variadas classes e ramos de atividades, por enxergarmos nesse modelo, uma oportunidade de formação e desenvolvimento.

Embora em nossas andanças tenhamos testemunhado incredulidade por pequena parcela de professores ‘jesuíticos’, manifestando desinteresse em levar o alunado ao cinema, alimentamos a convicção, ao lado da maioria dos educadores, de que a sétima arte, além de promover o ‘empreendedorismo cultural’, possui uma estreita relação com a educação. Corroborando essa visão, a pesquisadora Drª Gabriela Eyng Possolli da UFPR, sustenta que “o cinema se constitui em um dos variados modos de expressão cultural da sociedade industrial e tecnológica contemporânea”. Recomenda que “deve-se trazer para o campo da educação e da didática a reflexão e a investigação sobre como os filmes, as imagens e os estímulos audiovisuais educam as pessoas e influenciam seu imaginário”. Possolli defende ainda que “a utilização do cinema como meio de ensino-aprendizagem oportuniza enfocar os aspectos culturais, históricos, literários e políticos, proporcionando uma visão integral do cinema enquanto mídia educativa”. Nesse contexto, segundo ela, “o cinema se torna uma ferramenta educativa cheia de potencialidades ao contribuir para a mudança social”.

Entendemos a cultura como a voz de uma comunidade, e o propósito dos que a renegam, é reinar sobre uma nação de mudos. Por isso, esse projeto é uma construção coletiva, e seu êxito dependerá do apoio de toda comunidade.