O tema mais comentado da semana e que muito ainda repercutirá, diz respeito à parva e infeliz declaração do deputado catarinense Jessé Lopes (PSL): “Assédio é um direito da mulher...massageia o ego”. De antemão, deixo claro aqui que este parlamentar não me representa. Entretanto, Isso não suprime, seu potencial talento de representatividade.

Ele exerce, indiscutivelmente, sua representatividade sim. Representa parcela patriarcal de uma sociedade que não respeita mulheres. Representa o abismo da desigualdade de gênero ainda reinante nesse país. Representa a cultura misógina e machista dos ‘estacionados’ no tempo. Representa o obscurantismo intelectual do pseudo provedor do clã, desprovido de elegância e sociabilidade. Ele representa tudo o que uma mulher, em sua integridade, abomina num homem raso e mal resolvido existencialmente. Ele representa o brucutu brasileiro.

Como se não bastasse sua pueril representatividade, ele também justifica. Justifica a violação dos direitos das mulheres. Justifica as pífias conquistas delas em quesitos importantes como, participação na política, nas lideranças empresariais e, sobretudo, no respeito e proteção. Justifica a submissão delas, pois, a despeito de serem comprovadamente mais escolarizadas que os homens, representarem praticamente a metade da população economicamente ativa, serem mais produtivas, possuírem cientificamente mais sensibilidade e habilidade em liderança, o desavisado parlamentar justifica o fato delas merecerem uma remuneração 30% inferior.

Como se tudo isso não bastasse, ele também justifica o comportamento do agressor. Em consequência, justifica a trágica estatística de termos uma mulher estuprada a cada 11 minutos em nosso país. Deste desalento, escancara-se então, a tragédia maior: termos que admitir que essa mazela social, justificada pela insana declaração do parlamentar, é sustentada por sua manada que comunga desse pensamento retrógrado. Eles seguirão representando o irrepresentável e justificando o injustificável, cabendo aos que repudiam, seguirem pagando o impagável.