Já iniciamos o segundo tempo de 2022, em meio à reinante instabilidade social, política e econômica. Supostamente, a pandemia foi vencida. A ameaça agora fica por conta da recessão mundial e da guerra entre oriente e ocidente. Junto a esse quadro sombrio, se intensifica o fogo da campanha presidencial brasileira. No borbulhar da fervura, vão aparecendo substâncias nauseosas como: depreciação da democracia liberal, ameaças de regulamentação das mídias, teocracias fundamentalistas, flertes ‘neonazifascistas,’ erupções ditatoriais, inspirações estatizantes, entre outros repulsivos ingredientes bilaterais.

Acrescenta-se, por fim, consistentes condimentos como: degradação ambiental, desigualdade social, fome, violência, e temos pronta a insípida sopa. O que se degusta, então, é a velha ordem do confronto politiqueiro, causando na população, uma incontinente turbulência disentérica. A imensurável “distância” de realidades entre governantes e governados, alimenta a utopia pela simples torcida ou aposta. As atenções se voltam para as reinantes pesquisas, denúncias, ataques e fakes, já que a Nação está dividida entre dois medos: a desgraça do retorno e a tragédia da continuidade.

O contingente fanático foca nos nomes. Já, a pequena porção racional, foca em projetos. A realidade fática é a de que não se discute projeto de Nação, e sim, preferência por nomes. Por isso, ouso dar um tiro no meu próprio pé. Reconheço que a imprensa também não está desempenhando seu autêntico e digno papel. É ela quem tem o poder de instigar o debate voltado para projeto de Nação, em vez de jogar lenha na fogueira. É ela quem tem a capacidade de recobrar a amnésia social de que as grandes transformações implementadas no mundo, sempre foram motivadas pela inquietude dos governados.

‘Marchas sociais’ como direitos humanos, Diretas Já, consciência ecológica e movimento feminista, são só alguns exemplos. Enquanto isso, no campo político-institucional, não se processam transformações visando o melhor projeto de Nação. A ordem se resume em liquidar o adversário com a melhor retórica e maior torcida, e não com o melhor projeto. O modelo maquiavélico continua o mesmo trilhado a séculos: a disputa é por projeto, mas, projeto de poder. Meios como opressão, alienação, exploração, ilusão e corrupção, são justificáveis para deleite e perpetuação desse poder. Portanto, prezados candidatos, qual o projeto de Nação?