Por paradoxal que possa parecer, a notícia digna para início de um ano esperançoso vem dos ignorados de uma ignorante Nação.

Tentarei justificar, mas o fato é que dois brasileiros estão classificados entre os 50 melhores educadores do mundo para o Global Teacher Prize.

O prêmio de US$ 1 milhão ao vencedor, será entregue em março, em Dubai, capital dos Emirados Árabes, pela The Varkey Foundation, entidade dedicada a melhoria da educação mundial, sediada em Londres.

Tenho sustentado que definir professor é tão, ou mais, desafiador quanto ser. É fácil definir o professor ‘por conveniência’. Mas tente defini-lo ‘por vocação’. A insensatez comum desse pobre país, que se encontra na rabeira da qualidade de ensino mundial, não percebe essa dantesca diferença.

Como definir Débora Garofalo, Professora de Língua Portuguesa da EMEF Ary Parreiras, que ensina tecnologias robóticas a partir de resíduos, para alunos de uma área carente de São Paulo? Como definir Jayse Ferreira, Professor de educação artística, na Escola de Referência Frei Orlando, em Itambé, interior de Pernambuco, que por meio do cinema dirige os alunos em roteiros, filmagens e edições como forma de relatarem, por eles próprios, o cotidiano de violência, pobreza, drogas e discriminação? Recomendo conhecerem os trabalhos e as condições desses educadores.

A verdade é que não temos capacidade para definir um Professor ‘por vocação’ num país, em que 88% da população considera a profissão de professor como sendo de ‘baixo status’, de acordo com pesquisa dessa mesma entidade mundial. Não temos competência para entender o que move um Professor ‘por vocação’ num país onde a missão mais importante é uma das menos reconhecidas. Não temos sensibilidade suficiente para perceber que já se foi a época em que os pais cobravam nota dos filhos. Hoje cobra-se nota dos professores e da escola. Não temos maturidade bastante para enxergar que se a função do professor era professar conhecimento, agora passou a ser mediar conflito para não ser agredido. Se ontem lhe cabia a autoridade natural, hoje lhe é imposta a obediência mercantilista. Se antes o professor reprovava por indisciplina ou falta de rendimento, atualmente significa não atender o cliente.

Certamente você deve estar se questionando: epa lá, mas eu tenho consciência da importância da educação e do bom professor. Tem mesmo? Você recomendaria essa carreira a seu filho(a)?

Enfim, o que esses apaixonados e malucos sonhadores nutrem em comum? Resumirei em três questões: i) são inquietos com suas práticas; ii) transformam seus alunos em protagonistas da aprendizagem; iii) sabem que não há como transformar uma nação sem que tudo passe pelo ‘duto’ chamado Educação.