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“Fogo no cinema”

Por: Nelson Luiz Pereira

05/08/2021 - 20:08 - Atualizada em: 05/08/2021 - 20:22

O Brasil sempre foi um país altamente inflamável. Penso que, via de regra, somos um povo incendiário. Ateamos fogo em quase tudo. Desde a política, alastrando-se pelas relações sociais, até à nossa própria memória. Por isso, para que eu não seja sapecado, vou me blindar de antemão. Minha crítica, aqui, não se reporta a governo a, b, ou c. Ela é atemporal e dirige-se à Nação (conjunto de características culturais, tradições, língua, costumes, memória histórica, entre outros fatores, que formam uma identidade nacional), ancorada num Estado Democrático de Direito.

A culpa é, portanto, desse conjunto. Pois bem, se sua memória não está chamuscada, deve lembrar-se que em dezembro de 2015 um incêndio de grandes proporções atingiu o Museu da Língua Portuguesa, no histórico e deslumbrante edifício Estação da Luz, região central de São Paulo. Não deve ter esquecido, também, que em setembro de 2018 uma tragédia anunciada transformou em cinzas o Museu Nacional do Rio de Janeiro. As chamas lamberam aquele velho casarão abandonado, contendo um inestimável patrimônio histórico do Brasil e da humanidade.

Arderam lá, riquezas como a Sala dos Dinossauros; o Meteorito Bendegó; o Caixão de Sha Amun en su; o esqueleto do Angaturama Limai, maior dinossauro carnívoro brasileiro; os Artefatos de Civilizações Ameríndias; o Crânio de Luzia; o Sarcófago de Hori, e outros tantos itens. Ironicamente, na entrada daquele Museu, que visitei uma vez, lembro-me de uma placa com a seguinte inscrição: “todos que por aqui passem, protejam esta laje, pois ela guarda um documento que revela a cultura de uma geração e um marco na história de um povo que soube construir seu próprio futuro.”

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No último 29 de julho, mais uma tragédia anunciada, transformou em cinzas parte da Cinemateca Brasileira, na zona oeste de São Paulo, com importante acervo audiovisual. Subitamente, a mensagem daquela placa me voltou à memória e me instigou recuperar um artigo relacionado àquele episódio, que eu havia, na ocasião, publicado em meu Currículo Lattes. Foi quando me dei conta de que a Plataforma Lattes do CNPq não havia queimado, mas, ao contrário, sofrido um apagão. Então pensei: mas que caramba, não tem jeito, nossa memória histórica, que já é curta, se não sofre incêndio, sofre apagão.

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Nelson Luiz Pereira

Administrador, escritor, membro do Conselho Editorial do OCP e colunista de opinião e história.