Na década dos meus 40, joguei muito tênis de campo. Aprendi com as aulas do Prof. Marcílio Silva, que jogava e ensinava com elegância. Declaro que aprendi muitos fundamentos técnicos com ele, o bastante para algumas amadoras vitórias. Eu só não havia aprendido elegância. Um de meus principais adversários, o brother sábio e religioso Wilson Watzko, nunca frequentou aula de tênis. Dizia-me, o autodidata, que não gastaria um tostão para aprender a jogar tênis, e que dentro de cinco anos seria o nº 1 de sua categoria em Jaraguá.

Nos primeiros seis meses eu vencia os confrontos com facilidade. Ao final do primeiro ano, foi ficando competitivo, já necessitando concentração e estratégia para derrota-lo. Diariamente lá estava ele no paredão. No início do segundo ano, ele passou a me vencer. Em um dos confrontos, muito disputado, ele meteu dez bolinhas na fita da rede, todas caindo no meu campo. Eu disse todaaaas. Claro que Deus estava jogando do lado dele. Não resisti e despedacei no paredão minha raquete Prince, que eu havia pago o valor de um salário WEG.

Ele estático diante da cena, com as mãos na cintura, posição açucareiro, me rebateu serenamente a seguinte observação: “que falta de elegância Nelson”. Senti vontade de bater a cabeça no paredão. Desde então, embora eu tenha abandonado a prática, sigo apreciando e acompanhando os principais torneios de tênis. Qualquer um que já tenha vivenciado uma modalidade de esporte, ao assistir, se sente jogando. Hoje, seja tênis, futebol ou atletismo, além da técnica, minha atenção crítica se volta para a elegância.

É muito difícil chegar a um nível técnico de uma final de Grand Slam, mas, não é difícil chegar à elegância. Foi o que eu observei na final de Wimbledon entre o fenomenal Djokovic e Berrettini, no último domingo (11). Logicamente, venceu aquele que, para mim, será o maior de todos os tempos. Entretanto, o sutil show de elegância daquela partida, coube ao príncipe Eduardo, Duque de Kent, que ao entrar em quadra para conceder a premiação aos atletas, dirigiu-se, primeiramente, aos jovens BBGs (Ball Boys and Girls), ou pegadores de bolas, para uma breve e atenciosa conversa de reconhecimento. Ah se essa moda pegasse no Brasil hein?