Neste domingo (28) o Brasil exibirá o desfecho de mais um capítulo histórico do drama político que tem desestabilizado a Nação. Deste pleito já temos, como pano de fundo, o clima conturbado e, por vezes, violento, manifestado pelas massas.

Se nas votações passadas tínhamos, de forma geral, um eleitor orientado pelo senso da apática preferência, agora temos um eleitor comprometido com uma causa e, mais do que isso, incorporando um personagem.

Nesta condição, o protagonista em cena agora, é o voto. Se nos pleitos passados a crença do eleitor era de que o voto não mudava nada, a realidade agora vem mostrando o contrário. Este novo comportamento do eleitor, independentemente de qual seja o lado, é uma mensagem a ser decifrada pela sociologia política.

Em meio a tantas elucubrações teórico especulativas, as respostas mais sóbrias e coerentes que tenho encontrado vem de um dos pensadores mais influentes do mundo na atualidade. Manuel Castells, professor da Universidade da Califórnia, membro da Academia Americana de Ciências Políticas e Sociais, é uma das minhas referências obrigatórias neste campo.

Em sua mais recente obra, “Ruptura – a crise da democracia liberal”, lançada neste ano, Castells nos revela que “a ruptura da relação institucional entre governantes e governados cria uma situação caótica que é particularmente problemática no contexto da evolução mais ampla de nossa existência”. É o que estamos efetivamente vivenciando. E não nos iludamos, esse processo terá continuidade.

Só agora começamos a nos dar conta de que os regimes de governo só perduram ou deixam de existir em um único lugar: na mente dos cidadãos. Portanto, o momento nos traduz que os cidadãos aspiram por uma nova ordem, mesmo sem saber qual, como e quando.

Aprofundando esta asserção, Castells é lúcido em sustentar que “a experiência histórica mostra que no fundo da opressão e do desespero surgem, sempre, movimentos sociais de diferentes formas que mudam as mentes e, através delas, as instituições.

Como aconteceu com o movimento feminista, com a consciência ecológica, com os direitos humanos. Mas também sabemos que, até agora, as mudanças profundas demandaram uma substituição institucional a partir da transformação das mentes. E é nesse nível, o político-institucional propriamente, que o caos continua imperando.

Daí a esperança, abrigada por milhões, de uma nova política. Contudo, quais são as formas possíveis dessa nova política?” Não creio que saibamos, por enquanto.

Particularmente, este diagnóstico me conduz a seguinte tese: quem quer que seja nosso próximo representante, este já não terá como governar sem que promova transformações, sem precedentes, nos moldes conceituais de algumas importantes instituições que tem regido nossa República.