O tema de meu último café com bobagens se reportou sobre jogo de forças, obviamente, que no campo da política. Especulávamos que a ‘panela de pressão pré-eleitoral’ ainda assobiará muito até a eleição. Transitávamos pelo tema mais em cheque, ou, mais em choque, do momento: a nossa jovem democracia. Iniciei a divagação nesse tom: brother, você já se deu conta de que hoje no Brasil, só há dois lados, e quem define qual lado deverá prevalecer são os sem lados?

Nelson, você bebeu, fumou ou bateu a cabeça? Nenhuma das três hipóteses, mas vou lhe fundamentar minha tese: você já deve ter percebido que a pirotecnia de intervenção militar, fechamento de Congresso, invasão da Suprema Corte, golpe de estado, golpe comunista, ‘venezualização’ do Brasil, e tantas outras retóricas especulativas, mudaram o tom para uma única dissonante nota: a defesa da democracia. Tudo se converteu num cabo de guerra em prol da democracia. E, nesse caso, tenho que admitir, que os fins justificam os meios.

Desculpe Nelson, mas agora você me deixou mais grilado ainda. Você tá dizendo que os dois lados estão brigando pela democracia? Sim brother, é exatamente o que estou dizendo. Os dois lados reivindicam a mesma coisa, a democracia, mas com narrativas diferentes, só isso. Independentemente de quem venha a ser o vitorioso nesse cabo de guerra, quem ganhará será a democracia. É só isso que me interessa. Seja de que lado for, espero que não ousem meter o bedelho na democracia, na liberdade.

Daí, meu prazer maior será assistir de camarote a extinção dos ‘cabeças velhas’ que esperam a volta da ditadura. E lhe digo mais meu brother: do pouco que absorvi de Montesquieu, posso lhe dizer que não é necessária muita probidade para que qualquer governo monárquico ou despótico se sustente. Bastam a força das leis num braço e a força bélica no outro, e tudo se resolveria e se conteria. Mas, num Estado Democrático de Direito, é necessária uma mola a mais, que venha a ser a ‘virtude.’ Mas não a virtude no sentido moral, e sim, entendida como virtude política e cívica, ou seja, que valha tanto para a classe política quanto para o cidadão comum.

Então, para esse pensador, e também para mim, a democracia só poderá existir se houver virtude que possa tender para o bem e para o correto, e que a lei funcione para o abastado tanto quanto para o menos favorecido. Mas Nelson, retrucou ele, você acredita mesmo que esse cabo de guerra vá garantir esse padrão de democracia que você sonha? Bem, não será esse, mas a somatória de muitos. Contudo, estamos caminhando nessa direção, embora, a passos de tartaruga manca, mas, mesmo assim, chegaremos lá.