A violência explícita que vem sendo exibida nas redes e no palco eleitoral brasileiro, protagonizada pelos extremismos político-ideológicos, estão sinalizando o clima que envolverá as eleições desse ano. Não seria exagero considerar a possibilidade de desordem, maculando a civilidade democrática. Tenho sustentado que os gladiadores extremistas capitalizam o cinismo generalizado que o povo nutre por política, tentando convertê-los em ‘torcedores’ inflamados valendo-se da retórica populista.

Esses gladiadores bem sabem que traumas herdados pelo ‘discurso da inferioridade latino-americana’, somados à estéril colonização ibérica, moldaram o perfil de um povo refém do marketing apelativo. A mensagem subliminar que vem sendo transmitida a essa massa de ‘torcedores’ dos dois extremos, é: se o resultado não nos for favorável, vamos buscar a verdade na quebradeira. No entanto, considerando nossa latinidade, uma imaginável guerra eleitoreira não passaria de ‘briga de botequim,’ onde o maior estrago seria acentuar a já surrupiada dialética, a já banida gramática, o já atropelado bom senso e a já assassinada tolerância.

O que temos testemunhado nas redes sociais dos comuns e nos twitters dos políticos, é a intensificação do discurso do ódio, embora, aqui caiba bem o velho adágio: “cachorro que late não morde.” Por isso, para compreender a lógica do sistema é preciso serenidade, sobriedade e desprendimento ideológico. Ou, como bem observa o economista do Banco BV, Roberto Padovani: “para entender o mercado é preciso estar fora do barulho político.” Faz todo sentido, já que mercado é ciência, ao passo que “barulho político” são pesquisas, fake news, palanques, promessas, pseudo narrativas, entre outros engôdos que a maioria da massa gosta de se empanturrar.

Tenho sustentado ainda, aqui nesse espaço semanal, que lamentavelmente, nessa batalha insana, os meios de comunicação sérios e profissionais, não constituem fonte para formação de opinião dessa maioria. Os canais reconhecidos, que fornecem a crítica fundamentada, assinada e assumida, não são fontes para os ‘torcedores’, pois nessa peleja a verdade e a coerência não se propagam, e sim, quem late mais alto. Esperamos que a democracia possa sair vencedora, mesmo que arranhada.