Um tema recorrente que não tenho poupado críticas em minha coluna, diz respeito às nossas mazelas sociais. Se sou intolerante? Ah, sou sim. Não tolero estupro, violência contra mulheres, crianças, animais, tampouco, racismo e preconceitos de qualquer natureza. O caso dessa semana, viralizado nas redes sociais, vem da Bahia.

Não entrarei no mérito dos motivos que desencadearam a ocorrência, pois, as investigações jurídicas darão conta disso, espero. Também não me deixei influenciar pelas opiniões das redes sociais. Minha reflexão crítica se apoia nas notícias assinadas e veiculadas na imprensa de forma geral.

A suposta vítima desta vez foi Crispim Terral, de 34 anos, empresário de um pequeno negócio em Salvador (BA), e...negro. No último 19 de fevereiro, ele teria ido à agência da Caixa Econômica, solicitar um comprovante de pagamento. As notícias e vídeos dão conta de que, depois de 4 horas de espera, o cliente, acompanhado de sua filha de 15 anos, teria sido humilhado pelo gerente, que já foi afastado do estabelecimento. Vale pesquisar o caso e tirar as conclusões.

Como já declarei por aqui, tenho explorado estudos de cunho antropológico, sociológico e teológico buscando entender a raiz do racismo. Minha inquietude, tem me levado a algumas respostas. Manifestações e atitudes ultrajantes de cunho preconceituoso, em relação à cor, sexo, etnia, religião, política, posição social, cultural ou filosófica, sempre se fizeram presentes desde as mais remotas sociedades.

Até aqui tenho me dado conta de que, biologicamente, essa praga ostenta traços genéticos de conduta primitiva que, estupidamente, persistem feito vírus mutante e resistente. Agora vemos esse vírus se proliferar graças ao meio favorável das tecnologias de comunicação.

Sabemos que a raiz histórica desse cancro envolve uma miríade de teorias, mas, sintetizo tudo em duas principais visões: i) a “visão classificatória reducionista”, invenção hierarquizada do modernismo ocidental, apoiada no pseudo princípio de que os caracteres físicos se convertem em raça e influenciam o comportamento; e ii) a “visão teológica” baseada em passagens bíblicas como a de Noé que amaldiçoa seu único filho negro, profetizando que seus descendentes seriam escravizados pelos descendentes de seus irmãos. Essas duas obtusas visões, têm legitimado barbáries históricas como a escravidão, o holocausto, o apartheid e genocídios diversos.

Considerando, portanto, que as referências biológicas explicam, mas não justificam, chego convictamente a minha particular conclusão: a raiz do racismo, ou de qualquer forma de preconceito, não carece de estudos aprofundados para a sua compreensão. Ela está umbilicalmente relacionada à “burrice genética”.