Como qualquer ser humano desprovido de ‘patologias psíquicas’, também eu, abomino qualquer regime ou sistema tirano e opressor que viola liberdades e ceifa vidas. Sustento a ideia de que toda e qualquer mazela social se combata com democracia e ponto final. Percebo que uma miríade de apologias e fobias vem ganhando corpo em todos os estratos sociais.

No campo das ideologias extremistas já se testemunhou, por conta de apologias, sandices como: eugenia, xenofobia, misoginia e tantas outras inépcias, manifestas desde os poderosos à vassalagem. No campo da sexualidade, também já são evidentes a homofobia, a bifobia, a transfobia, a lesbofobia e, por conseguinte, a heterofobia. Sem esquecer a eretofobia, que vem a ser a fobia a todas essas fobias juntas, ou seja, repulsa a tudo que se relaciona a sexo.

É impressionante como esse conjunto de patologias sociais, própria de uma sociedade androcêntrica, patriarcal e ainda muito preconceituosa, tem, ultimamente, inflamado os ânimos de guerra entre os fundamentalistas ultraconservadores e os progressistas liberais. De uma linha neutra que divide os dois campos antagônicos é possível, graças a uma visão privilegiada, isenta de paixonites, identificar o perfil e furor de cada exército.

De um lado, os encapuzados, doutrinados ao heterossexismo ortodoxo eclesiástico, pregadores da ‘binarização’ compulsória e padronização cultural. De outro, os desnudados, insurgentes ao heterossexismo, postulantes da diversidade cultural, porém, com necessidade exacerbada de exteriorização, ultrapassando, por vezes, a linha do pudor.

Nessa batalha, enquanto atuante da imprensa, sinto-me por vezes atravessando um ‘corredor polonês’, simplesmente por levantar temas dessa natureza, esperando o debate razoável e equilibrado. É pau dos dois lados. Ilustra bem isso, a recente matéria do OCP News, da última quarta-feira (22), a qual relatava a prisão de um cidadão de Florianópolis por apologia ao nazismo.

Curiosamente, alguns internautas se manifestaram expressando o desejo de relativizar ou justificar essa atrocidade histórica com outras barbáries. Surgiram então, indagações como: “se apologia ao nazismo é crime, apologia ao comunismo também não deveria ser?” Minha resposta está no início deste texto. Aos meus leitores, a ‘Palavra Aberta’.