"A fúria contra a Natura: um retrato da razão inadequada!"
"A fúria contra a Natura: um retrato da razão inadequada!"

Embora nossa Constituição de 1988, a mais inclusiva e tolerante de todas que, historicamente, já tivemos, estabeleça, em seu artigo 3º, a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação, o entendimento de grande parte da sociedade, acerca da diversidade, ainda segue deformado. Sem entrar nas animosidades mercadológicos e eclesiásticos ortodoxas, a campanha de marketing promovida pela Natura, alusiva ao dia dos pais, provocou, nas redes sociais, um abalo sísmico de grau máximo da escala Richter.

Se até mesmo diante de uma pandemia “a fé não costuma faiá”, o colossal terremoto virtual demonstrou que até o ‘mala fáia’. Sem o intuito de explorar ou julgar ideologias ou crenças, sejam elas liberais ou ultra conservadoras, há uma particularidade que chama a atenção e vale, no mínimo, uma sensata ‘cutucadinha’: a racionalidade do mercado, cujo olhar está sempre voltado para o futuro, é alijada da irracionalidade social niilista dos comuns.

O comportamento das ações da Natura na Bolsa, comprovou isso. Outro ponto curioso é buscar entender qual a “força” que provoca esse titânico atrito entre essas duas placas tectônicas: de um lado, os encapuzados, doutrinados ao heterossexismo ortodoxo eclesiástico, defensores da ‘binarização’ compulsória dos gêneros, e de outro, os desnudados, insurgentes heterodoxos postulantes da tolerância a diversidade e reconhecimento da liberdade e alteridade. O notório episódio nos revelou que essa avassaladora “força” se chama “fobia”. Ela é potencializada pela homofobia, a bifobia, a transfobia, a lesbofobia e, por conseguinte, a heterofobia.

Ao final dessa cadeia de fobias aparece, inclusive, a eretofobia, que vem a ser, a fobia a todas essas fobias juntas, ou seja, repulsa a tudo que se relaciona a sexo e sexualidade. Essa patologia presente em certo estrato social, deriva de uma sociedade androcêntrico patriarcal, que sustenta um paradoxo preocupante: o intolerante e incabível desejo de padronização das relações sociais, diante de um ser humano naturalmente diverso, que não se molda a padrões. Perdi o pulo do gato em não ter comprado ações da Natura.