Será comemorado no vindouro 28 de agosto, o Dia Nacional do Voluntariado. O trabalho voluntário, no Brasil, remonta ao período colonial, com as Santas Casas de Misericórdia, e já na República, com a Associação Damas de Caridade.

É somente com o advento da Constituição Federal de 1988, ao assegurar os direitos e garantias individuais, que se facultou movimentos sociais solidários, até então tolhidos pela ditadura militar. Pode-se dizer que é a partir desse momento que o trabalho voluntário passa a conquistar espaço e expressão na sociedade brasileira.

Há que se reconhecer, entretanto, que no contexto democrático, as sociedades que têm ascendido a padrões diferenciados de coexistência, são as que melhor têm assimilado a ideia de que não há possibilidade de dicotomia entre homem e sociedade, pois estes, de forma interdependente, se constroem, se complementam e se desenvolvem mutuamente.

Estas sociedades compreendem que, por sermos essencialmente gregários, não há outro meio de sobrevivência e desenvolvimento senão em comunhão. O nível destas sociedades é proporcional ao grau de intensidade de fatores que as caracterizam como, cultura, valores, estrutura política, econômica e social. Em síntese, seus cidadãos parecem estar mais sintonizados com a máxima de Oscar Wilde: “viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria das pessoas apenas existe”.

Reportando-se à nossa realidade local e regional, o que observamos, e nos faz diferenciados, é o padrão elevado de sociedade organizada, colaborativa e solidária. Status assegurado pela intensidade evidente desse conjunto de fatores, orquestrado por entidades de classe, empresariado e cidadãos. Há aqui uma consciência mais acurada de unidade social, de senso de pertença e virtude cívica.  Aqui, com as devidas exceções, não existimos por existir, mas nos inserimos.

Temos consciência de que o compromisso livremente assumido por voluntários, é uma nobre forma de estimular a cidadania, o envolvimento comunitário, a elevação do potencial humano, a qualidade de vida, a solidariedade e a compaixão, visando uma sociedade mais evoluída.

Sociedades com esse padrão, naturalmente acabam compensando com o voluntariado, as carências do Estado inoperante e mastodôntico. Elas se orientam relativamente desapegadas do Estado. No entanto, este relativo desapego, não as isentam de cobrar deste mesmo Estado, as obrigações devidas. Que possamos, por meio do voluntariado, continuar construindo uma sociedade mais justa, humana e feliz. Não há outro propósito fim de nossa existência, senão o de ‘servir’. Voluntários, vocês fazem um mundo melhor!