No mundo da política há, basicamente, dois perfis de representantes: o elegante polido, e o bronco grosseiro. O primeiro demonstra poder se valendo de argumentos bem estudados e elaborados, não necessariamente verdadeiros ou convincentes. O segundo se vale do coronelismo para manifestar poder sem autoridade. Fala grosso e alto. Grosso por ser estreito, e alto por ser baixo.

No entanto, os que protagonizam esses dois perfis, se travestem em vários outros personagens, de acordo com a conveniência do momento. À medida que o presente espetáculo mambembe avança, dando sinais de dúbio desfecho, vão se revelando, para uma ávida, polarizada e encolerizada plateia, personagens circenses em cada um dos parlamentares envolvidos nessa peça chamada CPI.

Os olhos mais atentos e críticos identificarão com facilidade a personificação fiel do domador, do malabarista, do acrobata, do trapezista, do equilibrista, do contorcionista, da bailarina e do ilusionista. Do lado de fora da grande tenda, há um Brasil paralisado, minguado, ameaçado, infectado, confinado, amedrontado, esgotado, atribulado, fragmentado, explorado e desorientado.

É nesse lado de fora que se revela, e habita, o personagem mais esperado: o Palhaço. É ele que resiste e supera todos esses “ados” da nação, e ainda encontra forças para expressar um sorriso e salvar a cena. Entretanto, não se trata do palhaço no sentido pejorativo ou depreciativo, mas, do Palhaço com “P” maiúsculo.

É nele que reside a chama de esperança por um espetáculo real. É dele o poder legítimo de ressignificar a peça maior em cartaz, chamada Brasil. Palhaços de meu Brasil varonil, desempenhemos com civilidade nosso papel nesse colossal picadeiro. Incorporemos com dignidade retumbante nosso personagem. Não abdiquemos da atração, com devoção e ação. Continuemos admiráveis.